ANTROPOLOGIA

Arqueólogos em Pompeia usam inteligência artificial para reconstruir o rosto de um homem morto na erupção do vulcão.

Por Por GIADA ZAMPANO, Associated Press. Publicado em 27/04/2026 às 16:33
Esta imagem, divulgada pelo Ministério da Cultura italiano na segunda-feira, 27 de abril de 2026, mostra uma vítima da erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., na área arqueológica de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália. Ministério da Cultura italiano via AP

ROMA (AP) — Arqueólogos e pesquisadores do antigo sítio romano de Pompeia usaram inteligência artificial pela primeira vez para reconstruir digitalmente o rosto de um homem morto na erupção do Monte Vesúvio em 79 d.C., que soterrou a cidade, oferecendo uma nova maneira de entender um dos desastres naturais mais famosos da história.

ARQUIVO - Vista do Parque Arqueológico de Pompeia, perto de Nápoles, no sul da Itália, em 14 de dezembro de 2022. (Foto AP/Andrew Medichini, Arquivo)

O retrato digital representa um homem cujos restos mortais, juntamente com os de outra pessoa, foram descobertos enquanto tentavam fugir da cidade em direção à costa do que hoje é a Itália, durante a erupção vulcânica. Os pesquisadores acreditam que o homem morreu no início do desastre, durante uma forte queda de detritos vulcânicos.

A reconstrução foi desenvolvida pelo Parque Arqueológico de Pompeia, que anunciou em seu site que foi feita em colaboração com a Universidade de Pádua e baseada em dados de levantamentos arqueológicos de escavações perto da necrópole da Porta Stabia, nos arredores das muralhas da cidade antiga.

O anúncio mostra uma ilustração gerada por inteligência artificial de como o homem poderia ter sido. Ele aparece correndo por uma estrada acidentada e coberta de destroços, segurando uma tigela grande e rasa sobre a cabeça e usando-a como escudo, enquanto o Monte Vesúvio entra em erupção ao fundo.

Pompeia, Patrimônio Mundial da UNESCO perto de Nápoles, foi soterrada sob cinzas e pedra-pomes quando o Vesúvio entrou em erupção há quase 2.000 anos, preservando a cidade e os restos mortais de milhares de seus habitantes com detalhes notáveis.

Os arqueólogos encontraram o homem segurando um pilão de terracota, que interpretaram como uma tentativa improvisada de proteger a cabeça da queda de pequenas pedras vulcânicas que caíram durante a erupção.

Relatos antigos — incluindo os do escritor romano Plínio, o Jovem — descrevem os habitantes de Pompeia usando objetos para se protegerem enquanto cinzas e detritos cobriam a cidade.

O homem também carregava uma lamparina de óleo, um pequeno anel de ferro e 10 moedas de bronze, objetos pessoais que oferecem informações sobre seus momentos finais, bem como sobre a vida cotidiana em Pompeia antes da catástrofe.

O retrato digital foi criado usando inteligência artificial e técnicas de edição de fotos, projetadas para traduzir dados esqueléticos e arqueológicos em uma representação humana realista.

“A vastidão dos dados arqueológicos é agora tal que só com a ajuda da inteligência artificial seremos capazes de protegê-los e aprimorá-los adequadamente. Se bem utilizada, a IA pode contribuir para uma renovação dos estudos clássicos”, afirmou Gabriel Zuchtriegel, diretor do Parque Nacional de Pompeia, em comunicado.

O projeto visa tornar a pesquisa arqueológica mais acessível e emocionalmente envolvente para o público, mantendo, ao mesmo tempo, uma base científica, disseram os pesquisadores.