JUSTIÇA E INTOLERÂNCIA RELIGIOSA

Padre firma acordo com família de Preta Gil após falas consideradas intolerantes

Religioso fará retratação pública e doações após declarações ofensivas à memória da artista e às religiões de matriz africana.

Publicado em 23/04/2026 às 16:14
Preta Gil Instagram - @pretagil

O padre Danilo César firmou um acordo com a família de Preta Gil após ser processado por declarações retrospectivas à memória da cantora e às religiões de matriz africana. O caso ganhou repercussão nacional quando uma fala do religioso, transmitida online, foi interpretada como intolerância e racismo religioso.

Retratação pública e medidas reparatórias

Pelos termos do acordo, o sacerdote se compromete a realizar uma representação pública e a considerar o impacto de suas declarações. A medida encerra, na esfera cível, a ação movida pelos familiares do artista, que também pediu indenização por danos morais.

Segundo informações do G1 Paraíba, o acordo prevê que o pai deverá se retratar publicamente durante uma missa, transmitida pelo canal oficial da paróquia no YouTube, o mesmo meio em que as falas originais foram feitas.

Durante a representação, ele deverá refletir explicitamente que suas declarações tiveram teoricamente ofensivo e causaram dor à família de Preta Gil. Além disso, o sacerdote se comprometerá a adotar uma medida reparatória de caráter social, com ações a uma instituição indicada pelos familiares.

O processo tramitava na Justiça do Rio de Janeiro e anterior pedido de indenização por danos morais, que foi substituído por acordo firmado entre as partes.

Entenda o caso

A polêmica teve início após uma pregação transmitida ao vivo no canal da paróquia, na qual o padre comentou sobre a religião de Gilberto Gil e sua família.

Durante a fala, ele questionou, em tom considerado ofensivo, uma oração feita aos orixás em homenagem à cantora. O trecho viralizou nas redes sociais e gerou forte fato público.

"Gilberto Gil fez uma oração aos orixás. Cadê o poder desses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?", disse o religioso na ocasião.

A declaração foi interpretada como desrespeitosa às religiões de matriz africana, motivando a abertura de investigação e, posteriormente, uma ação judicial por parte da família.

Após repercussão negativa, o vídeo foi retirado do ar. O caso continua sendo debatido nas redes sociais e na imprensa, levantando discussões sobre intolerância religiosa no Brasil.