Acionistas da Warner aprovam fusão com Paramount; veja próximos passos
Acordo bilionário pode criar um novo gigante do entretenimento, mas ainda depende de aval regulatório nos EUA e Europa.
Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram nesta quinta-feira (23) o acordo de fusão com a Paramount Skydance, em uma transação avaliada em US$ 111 bilhões (aproximadamente R$ 551 bilhões na cotação atual). Caso seja concluída, a operação transformará o CEO David Ellison no principal controlador de um novo conglomerado de mídia em Hollywood.
De acordo com a imprensa norte-americana, a aprovação entre os acionistas do WBD foi esmagadora. O acordo prevê o pagamento de US$ 31 por ação, transferindo para a Paramount o controle de marcas consagradas como CNN, HBO, Discovery e CBS.
Apesar da aprovação da fusão, os acionistas rejeitaram um pacote de pagamentos proposto a David Zaslav, CEO do WBD, e outros executivos indicados pela Warner, referentes a pagamentos que receberiam caso o negócio fosse concluído.
Segundo o jornal Los Angeles Times, o valor desse pacote poderia chegar a US$ 886 milhões. Uma consultoria recomendou voto contrário à proposta.
Vale ressaltar que a aprovação sobre o pacote de compensação foi apenas consultiva, ou seja, o conselho diretor da Warner ainda pode aprovar os pagamentos mesmo com a participação dos acionistas. Conforme noticiado pela Variety, propostas semelhantes foram rejeitadas no ano passado.
Próximos passos
A Paramount ainda precisa obter a aprovação de órgãos reguladores nos Estados Unidos e em outros países para seguir com a aquisição. Apesar disso, os executivos das empresas demonstram otimismo e acreditam que a operação poderá ser concluída até o final de setembro deste ano.
“A aprovação dos acionistas hoje é mais um marco rumo à conclusão desta transação histórica, que vai fornecer valores exclusivos a nossos acionistas”, afirmou Zaslav em comunicado. "Seguiremos trabalhando com a Paramount para completar as próximas etapas deste processo, que criará uma empresa líder de mídia e entretenimento da próxima geração."
Não está claro se os órgãos reguladores importam condições de fusão. Procuradores-gerais de estados como Nova York e Califórnia analisam cuidadosamente os termos para avaliar possíveis contestações com base nas leis antitruste. As autoridades reguladoras europeias também avaliaram o acordo e podem exigir que a Paramount se desfaça de algumas marcas para garantir a aprovação.
O acordo gerou ceticismo entre figuras influentes de Hollywood, que chegaram a protestar e manter uma carta contra a fusão. Os setores da indústria também criticam a proximidade entre o CEO da Paramount e o ex-presidente Donald Trump.
Em eventos recentes, David Ellison buscou tranquilizar o setor, afirmando que manterá os filmes da Warner e da Paramount em exclusividade nos cinemas por 45 dias antes do lançamento em plataformas de streaming. Ele também se comprometeu a lançar pelo menos 30 filmes por ano nas telonas.