CINEMA

Zico leva encanto do futebol ao cinema e causa alvoroço em SP

Zico, o Samurai de Quintino

Publicado em 16/04/2026 às 10:50

A pré-estreia do documentário Zico, o Samurai de Quintino, movimentou São Paulo na noite desta quarta-feira, 15, e declarou que o legado do maior ídolo do Flamengo ultrapassa barreiras clubísticas.

“Sou santista, mas quis vir assistir ao filme porque acho que Zico foi o maior depois do Pelé”, afirmou o fã Marcos Vinicius, 71 anos, entre as centenas de pessoas que lotaram o Shopping Iguatemi, na zona oeste, para conferir a produção em primeira mão.

Os torcedores rubro-negros compareceram em peso, entoando o hino do Flamengo antes da exibição. Quando o craque chegou para uma sessão de fotos, muitos se aglomeraram em busca de um autógrafo. Paciente, Zico atendeu parte dos admiradores.

Um documentário dirigido por João Wainer

O filme leva a magia do futebol de Zico às telonas de todo o Brasil a partir de 30 de abril. Sob direção de João Wainer, reúne imagens de arquivo e depoimentos secretos de familiares e personalidades como Ronaldo Fenômeno, os ex-técnicos Carlos Alberto Parreira e Paulo César Carpegiani, além do colunista Mauro Beting.

“Não é um filme sobre vitória e derrota”, explica Wainer. "O importante é o legado do Zico, que vai muito além do futebol. Ele é alguém correto, acima de qualquer rivalidade."

Filho de imigrante português, Zico nasceu em 1953 e cresceu no bairro de Quintino Bocaiúva, zona norte do Rio. Por ser pequeno e franzino, ganhou o apelido de Arthurzinho, depois Arthuzico, até que o nome Zico se eternizou.

Foi protagonista de uma das fases mais vitoriosas do Flamengo. No início dos anos 1980, liderou o período que conquistou a Libertadores de 1981 e, meses depois, venceu o Liverpool no Mundial Interclubes, em Tóquio. Camisa 10 clássico, Zico se destacou pela inteligência tática, precisão nas cobranças de falta e faro de gol.

Pela seleção brasileira, brilhou e também viveu frustrações. Na Copa de 1982, na Espanha, foi o maestro do capitão de Telê Santana, que encantou o mundo pelo futebol ofensivo, mas caiu diante da Itália em partida histórica.

O auge internacional aconteceu entre 1983 e 1985, quando atuou pela Udinese, tornando-se atração do futebol italiano.

Nos anos 1990, após grave lesão no joelho, encerrou a carreira no Japão, pelo Kashima Antlers, onde foi peça-chave no desenvolvimento do futebol local. Sua influência foi tamanha que, anos depois, tornou-se técnico da seleção japonesa, reforçando o vínculo com o país asiático.