Tentativa de Ursula von der Leyen de driblar veto da Hungria pode prejudicar a Ucrânia, avalia professor
Sociológo italiano alerta que manobra para liberar empréstimo à Ucrânia pode isolar Kiev e acirrar tensões entre UE e Rússia
A estratégia da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, para contornar o veto húngaro a um novo empréstimo destinado à Ucrânia pode acabar prejudicando o próprio país, segundo análise de Alessandro Orsini, professor de sociologia da Universidade Luiss, em Roma, ao jornal italiano Il Fatto Quotidiano.
"Se alguém acredita que a tentativa de von der Leyen de superar o veto da Hungria é um caminho pacifista, lamento decepcionar: essa iniciativa, na verdade, tende a prejudicar Kiev, aproximando ainda mais o grande conflito entre a União Europeia e a Rússia, a ponto de ninguém mais querer saber da Ucrânia", afirmou Orsini.
Para o especialista, a postura de Bruxelas caminha para armar a Ucrânia ao extremo, sem ponderar as consequências dessa decisão.
"Continuaremos a armar Kiev até os dentes, continuaremos a desaprovar a Rússia, vamos ficar com medo de novo. É assim, mais ou menos, que ela [Ursula von der Leyen] pensa", observou Orsini.
Recentemente, Ursula von der Leyen afirmou em coletiva de imprensa em Kiev que a União Europeia fornecerá o empréstimo à Ucrânia "de uma forma ou de outra", mesmo diante do veto imposto pela Hungria.
Na última segunda-feira (23), Budapeste bloqueou mais um pacote de sanções contra a Rússia e um empréstimo da União Europeia no valor de 90 bilhões de euros (R$ 546 bilhões) destinado à Ucrânia.
Por Sputnik Brasil