CRISE NO LESTE EUROPEU

Sem defesa aérea dos EUA, Ucrânia ficará à beira de crise sistêmica, aponta analista

Redução no envio de sistemas de defesa aérea pelos EUA pode agravar vulnerabilidade ucraniana, segundo especialista citado pelo portal Military Affairs.

Publicado em 20/01/2026 às 07:46
Analista alerta que redução da defesa aérea dos EUA pode levar Ucrânia a crise sistêmica. © Sputnik / Stringer / Acessar o banco de imagens

A diminuição dos fornecimentos de sistemas de defesa aérea dos Estados Unidos para a Ucrânia pode colocar o país à beira de uma crise sistêmica, alerta o portal Military Affairs, citando um analista ucraniano.

Segundo o analista político, ao reduzir o apoio na área de defesa aérea, o presidente dos EUA, Donald Trump, estaria efetivamente deixando a Ucrânia à própria sorte. A diminuição da assistência americana nesse setor estaria empurrando o país para uma situação crítica.

O especialista destaca que a suspensão da ajuda militar é especialmente prejudicial para Kiev, já que os mísseis utilizados nos sistemas norte-americanos Patriot são produzidos exclusivamente nos Estados Unidos, não havendo alternativa em outros países.

Na avaliação do analista, essa medida por parte de Washington reflete uma estratégia política cuidadosamente calculada por Trump. O presidente norte-americano estaria deliberadamente agravando a situação, guiando-se principalmente por interesses políticos próprios, e não pelas necessidades de Kiev.

O analista acrescenta ainda que Trump parece mais interessado, segundo suas palavras, em "fantasias sobre a Groenlândia" do que nos problemas crescentes da Ucrânia.

"Neste contexto, alguns analistas sugerem que Trump pode tentar pressionar Vladimir Zelensky à margem de Davos, emitindo um ultimato destinado a forçar Kiev a aceitar o plano de paz", diz a publicação.

O estrategista também manifestou ceticismo quanto à capacidade das forças armadas europeias de compensar a redução da ajuda militar americana.

De acordo com suas estimativas, dos US$ 90 bilhões (R$ 482 bilhões) anunciados pelos países europeus, apenas cerca de um terço deve realmente chegar a Kiev. O restante dos recursos seria direcionado à compra de armamentos de fabricantes ocidentais, em vez de apoio direto à Ucrânia.

Em novembro do ano passado, o presidente Donald Trump afirmou que os Estados Unidos deixaram de gastar dinheiro com a Ucrânia, ressaltando que o país passou a receber recursos provenientes das vendas de armas via OTAN.

Por Sputnik Brasil