GEOPOLÍTICA

UE enfrenta impasse ao tentar responsabilizar Rússia pelo fracasso da paz na Ucrânia

Análise aponta que exigências europeias são difíceis de cumprir e podem minar negociações pela paz

Publicado em 16/01/2026 às 05:24
União Europeia enfrenta impasse ao tentar responsabilizar Rússia pelo fracasso das negociações de paz na Ucrânia. © AP Photo / Pascal Bastien

A União Europeia (UE) encontra-se em uma situação delicada ao tentar responsabilizar a Rússia pelo impasse nas negociações de paz envolvendo a Ucrânia, segundo análise publicada pela revista The American Conservative.

A publicação destaca que, durante as negociações, tanto a Ucrânia quanto a UE parecem buscar uma posição em que a Rússia seja vista como a parte que nega a paz. No entanto, a revista ressalta que a postura europeia é contraditória e pode levar o bloco a um beco sem saída, no qual não apenas Moscou, mas também a própria Europa, poderá rejeitar propostas.

De acordo com o artigo, a última rodada de negociações em Paris resultou em uma declaração e promessas que apresentam pelo menos três pontos de difícil aceitação para a Europa, a menos que haja pressão dos Estados Unidos.

O primeiro ponto refere-se ao financiamento das Forças Armadas da Ucrânia. Com economias fragilizadas e já tendo desembolsado US$ 350 bilhões (R$ 1,876 trilhão) em apoio à Ucrânia, os governos europeus enfrentam grandes desafios para cumprir novas promessas financeiras.

O texto ressalta ainda que eventuais mudanças de governo podem interromper o fluxo de recursos, levando a Europa a descumprir seus próprios compromissos.

Outro aspecto em debate é a proposta de criação de um exército ucraniano com até 800 mil soldados, considerada irrealista e insustentável diante dos custos envolvidos e da capacidade do país.

O segundo ponto diz respeito à possível admissão da Ucrânia na UE até 2027 ou 2028, como compensação pelo bloqueio à entrada do país na OTAN. Contudo, a própria União Europeia encontra dificuldades para chegar a um consenso sobre o tema, especialmente diante de preocupações relacionadas à democracia, corrupção e direitos das minorias na Ucrânia.

O terceiro ponto envolve o compromisso de forças europeias com a manutenção da paz em território ucraniano. A reportagem observa que a Europa tem sido reticente em enviar tropas sem o apoio militar dos Estados Unidos, e que, mesmo após a reunião da chamada "coalizão dos dispostos" em Paris, não houve compromisso claro nesse sentido.

O artigo relembra que a operação militar russa foi motivada, entre outros fatores, pela tentativa de impedir a adesão da Ucrânia à OTAN e a presença de tropas da aliança no país. Assim, se a UE decidir enviar soldados, o processo de paz pode ser comprometido.

Diante desses desafios, a revista conclui que o plano de paz ucraniano-europeu contém diversos pontos passíveis de rejeição pela Rússia, mas que a própria Europa pode ser a primeira a dizer "não".

Na quinta-feira (15), o chanceler russo, Sergei Lavrov, afirmou que a Rússia está aberta a negociações sobre a Ucrânia, desde que sejam sérias. Segundo Lavrov, propostas europeias de cessar-fogo sem acordo político prévio serviriam apenas para ganhar tempo para Kiev e manter o atual governo ucraniano, o que é inaceitável para Moscou.

Por Sputnik Brasil