FUGA SOB INVESTIGAÇÃO

Quem bancou a fuga? Voo de Flávio Bolsonaro aos EUA custou cerca de R$ 800 mil

Dono da empresa aérea diz que recebeu pagamento de intermediário nos Estados Unidos; assessor de Trump confirmou ter providenciado o jato, mas financiador final não foi identificado nas informações divulgadas

Por Redação Publicado em 01/11/2026 às 13:15
Quem bancou a fuga? Voo de Flávio Bolsonaro aos EUA custou cerca de R$ 800 mil Ricardo Arduengo / AFP

O voo particular que levou Flávio Bolsonaro e sua família da Argentina aos Estados Unidos custou US$ 150 mil, aproximadamente R$ 800 mil, segundo o empresário argentino Luis Grande, proprietário da Baires Fly. O valor foi informado à agência de notícias AFP e coloca uma pergunta no centro do episódio: quem efetivamente bancou a viagem?

Grande afirmou que recebeu o pagamento de um intermediário do setor aeronáutico que mora nos Estados Unidos. A transferência partiu da conta empresarial desse intermediário em um banco americano e teve como destino um banco argentino. O empresário se recusou a revelar o nome do responsável pela transação e disse desconhecer o cliente que encomendou o serviço ao intermediário.

A identificação do caminho do pagamento não esclarece, por si só, a origem final dos recursos. Saber quem transferiu o dinheiro à companhia aérea é diferente de saber quem forneceu os recursos para custear a viagem.

Assessor de Trump providenciou o jato

Sobre a organização do transporte aéreo, há uma informação mais concreta. Em reportagem publicada em 29 de outubro, o Metrópoles informou que Jason Miller, assessor de comunicação da Casa Branca, confirmou ao veículo ter providenciado o jato utilizado por Flávio. Essa participação, porém, não demonstra que Miller tenha pago a despesa com recursos próprios.

O envolvimento de Miller também foi relatado pelo jornal The New York Times. Segundo a reportagem, Eduardo Bolsonaro manteve contato com o assessor, que participou da organização do transporte do irmão para os Estados Unidos.

As informações divulgadas identificam participantes de etapas diferentes: Miller providenciou a aeronave, enquanto um intermediário comercial contratou e efetuou o pagamento à empresa operadora. Esses relatos não permitem concluir que sejam a mesma pessoa nem demonstram que o governo americano tenha custeado o voo.

Viagem passou pela Argentina e pelo Equador

Flávio chegou a Miami, acompanhado da esposa e das duas filhas, na manhã de quarta-feira, 28 de outubro. Segundo a Agência Brasil, com informações das autoridades migratórias argentinas, a família cruzou a fronteira pela Ponte Internacional Tancredo Neves na noite anterior e embarcou em um voo particular. A aeronave passou por Guayaquil, no Equador, antes de pousar no aeroporto de Opa-Locka, na Flórida.

O trecho anterior à chegada à Argentina permanece cercado de lacunas. Reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste sábado, 31 de outubro, aponta que ainda não estava esclarecido como o senador percorreu o caminho até a fronteira, quais transportes utilizou e quem o auxiliou nessa etapa.

Isso impede tratar a identificação de quem providenciou o jato como resposta completa à pergunta sobre quem organizou toda a saída do país.

PF apura descumprimento de ordens judiciais

A Polícia Federal informou, em nota de 28 de outubro, que solicitou medidas cautelares ao Supremo Tribunal Federal após identificar risco de saída do senador do Brasil. As medidas incluíam apreensão dos passaportes e proibição de deixar o território nacional.

Segundo a corporação, os passaportes brasileiros comum e diplomático foram cancelados. Flávio foi intimado na manhã de segunda-feira, 26, a entregar eventuais documentos de outras nacionalidades em 24 horas, o que não ocorreu. A PF também informou que não há registro oficial de sua saída pelos postos brasileiros de controle migratório e que investiga o descumprimento das determinações judiciais.

A mesma nota ressalva que restrições a documentos de viagem, isoladamente, não caracterizam a condição de foragido nem autorizam prisão ou vigilância permanente.

Cobrança também nos Estados Unidos

O episódio provocou questionamentos no Congresso americano. Um grupo de 25 deputados democratas enviou uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, solicitando esclarecimentos sobre um possível envolvimento do governo dos Estados Unidos na saída de Flávio do Brasil e em sua entrada em território americano. Os parlamentares também questionaram a existência de apoio logístico à viagem.

O custo foi declarado pelo dono da empresa, o percurso aéreo é conhecido e há informações sobre quem providenciou o jato. Mas duas respostas continuam incompletas nas informações divulgadas: quem forneceu os recursos para bancar a viagem e quem participou das demais etapas da saída de Flávio do Brasil.