Othoniel Pinheiro alerta para vídeos feitos com IA e cobra ação contra perfis falsos
Defensor público de Alagoas afirma que conteúdos sintéticos estão sendo compartilhados como se fossem reais e pede que plataformas removam as publicações, identifiquem os responsáveis e adotem medidas contra as contas envolvidas
O defensor público de Alagoas Othoniel Pinheiro fez um alerta sobre vídeos produzidos com inteligência artificial que circulam nas redes sociais em meio à polarização após as eleições. Segundo ele, perfis falsos estariam usando esse tipo de conteúdo para estimular manifestações excessivas e provocar reações de pessoas que acreditam estar diante de declarações verdadeiras.
Na publicação, Othoniel cita um vídeo em que uma mulher aparece dizendo que perdeu mais de 3 mil seguidores e que não gosta de petistas. A fala atribuída a ela inclui frases como “Eu não contrato petistas” e “não trabalho com petistas”. O defensor alerta, porém, que vídeos desse tipo podem ser produzidos com inteligência artificial e pede que não sejam tratados como autênticos sem verificação.
“São vídeos produzidos por golpistas”, afirma Othoniel, ao cobrar que as plataformas removam não apenas os conteúdos, mas também os perfis falsos usados para divulgá-los. Ele defende ainda que as empresas identifiquem os responsáveis pelas contas e pelas publicações.
O alerta exige cautela: a declaração exibida no vídeo não deve ser atribuída a uma pessoa real sem confirmação da autenticidade do material. A Tribuna do Sertão não identificou, nas fontes consultadas, uma verificação independente desse vídeo específico.
Othoniel Pinheiro é defensor público e coordenador do Núcleo de Proteção Coletiva da Defensoria Pública do Estado de Alagoas.
A preocupação com conteúdos artificiais já chegou à Justiça Eleitoral em Alagoas. Em setembro, o TRE-AL determinou a retirada de duas publicações que usavam inteligência artificial para simular falas e comportamentos de um candidato e ordenou que a Meta preservasse registros e fornecesse dados para ajudar a identificar o responsável pelo perfil. A decisão tratava de outro caso, mas ilustra os riscos de apresentar conteúdo sintético como se fosse registro real.
O defensor também pediu que as plataformas atuem rapidamente diante de materiais que possam enganar o público e alimentar ataques motivados por divergências políticas. Para ele, compartilhar um vídeo sem verificar sua origem pode ampliar a circulação de uma falsidade e atingir pessoas que nunca fizeram as declarações exibidas.