Entre os palanques e o Planalto, JHC escolhe a pragmática após a vitória de Lula
Governador eleito evitou declarar apoio presidencial durante a campanha e, após o resultado, defendeu diálogo institucional
A eleição de 2026 produziu em Alagoas dois recados eleitorais distintos. JHC venceu a disputa pelo governo estadual com 52,20% dos votos válidos. Na eleição presidencial, Lula obteve 60,77% no estado. Os números mostram que parte do eleitorado fez escolhas diferentes para os cargos estadual e nacional.
Durante o segundo turno, JHC não declarou apoio público a Lula ou a Flávio Bolsonaro. A posição foi pressionada por integrantes da direita e por aliados que participaram da coligação que elegeu o tucano. Sua vice-governadora Célia Rocha, ao contrário, se esgoelou pedindo voto para a extrema-direita e deu declarações de que ja tinha convite para a posse. Ao mesmo tempo, lideranças do mesmo campo político se dividiram: houve apoio a Flávio (os bolsonaristas Bebeto e Leonaroldo Dias) e também a Lula, como foi o caso de Ronaldo Lessa.
Depois da confirmação da vitória presidencial, JHC parabenizou Lula e defendeu que era hora de “desarmar os palanques”. O governador eleito afirmou que Alagoas buscaria uma relação institucional com o governo federal baseada no diálogo e no compromisso com a população.
A sequência é um exemplo de realpolitik: durante a disputa, JHC preservou liberdade para não escolher um lado no segundo turno; depois do resultado, sinalizou disposição para negociar com o presidente eleito. Essa postura pode facilitar a busca por recursos e parcerias federais, mas também exige que ele mantenha a confiança dos aliados que esperavam uma adesão mais clara ao campo de Flávio Bolsonaro.
O desafio será transformar a aproximação institucional em projetos concretos sem ignorar a composição política que o levou ao governo. A neutralidade de campanha e a disposição de diálogo após a eleição não provam, por si, qual foi o voto de JHC. Indicam, porém, a escolha pública de preservar canais com campos políticos que estiveram em lados opostos da disputa.