Aécio Neves propõe reforma política com transição para 2030 e implementação em 2034
Líderes do Centrão buscam consenso sobre modelo de eleição que pode incluir PT nas negociações.
O presidente nacional do PSDB e deputado federal por Minas Gerais, Aécio Neves, afirmou que os líderes partidários de centro na Câmara dos Deputados estão chegando a um consenso para implementar uma reforma política em 2034 com uma transição em 2030.
As declarações ocorreram nesta quarta-feira, 27, após ter deixado a residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), onde foi convocada uma reunião com lideranças dos partidos União Brasil, PP, PSD, Republicanos, MDB, federação PSDB-Cidadania e Podemos.
De acordo com Aécio, a ideia é que a Câmara realize a votação de uma proposta de emenda à Constituição (PEC) ainda neste ano, com a previsão de um modelo de transição em 2030 e de implementação do voto distrital misto para as eleições legislativas em 2034.
Nos bastidores, há uma preocupação do Centrão diante da ampliação da bancada bolsonarista, puxada por destaques das redes sociais como os deputados Nikolas Ferreira (PL-MG) e Lucas Pavanato (PL-SP).
Segundo Aécio, a expectativa agora é de incluir o PT nas negociações. O tucano disse a jornalistas que talvez não haja acordo com o PL, já que a bancada do partido de Valdemar Costa Neto foi a mais beneficiada pelo sistema eleitoral atual.
As lideranças do Centrão discutem se vão implementar o modelo do voto distrital misto ou do distritão. No distrital misto, os Estados são divididos em distritos eleitorais, e cada eleitor tem direito a dois votos: um para deputado que representa a sua região e outro para o partido.
No distritão, vencem os deputados que tiverem mais votos, independentemente da quantidade de votos que os partidos receberam, sem distribuição entre as legendas baseada em proporcionalidade.
Aécio afirmou que não há unanimidade, mas um avanço de um consenso para implementar o voto distrital misto em 2034. "O distritão traria distorções muito grandes", disse o tucano.
Segundo ele, Motta deve imediatamente conversar com o PT, para o texto estar pronto na semana que vem. A ideia é aprovar também em acordo com o Senado.