ANÁLISE POLÍTICA

Se abrigar Gaspar no governo, JHC poderá fortalecer um rival de Rodrigo Cunha em 2028

Eventual nomeação daria visibilidade ao deputado e colocaria o governador eleito diante de um dilema: acomodar Gaspar sem enfraquecer o aliado que ocupa a Prefeitura de Maceió

Por Redação Publicado em 28/10/2026 às 08:53
Gaspar, JHC e Cunha: eleição em 2028 poderá afastar o trio

Uma eventual entrada de Alfredo Gaspar no governo JHC teria consequências que ultrapassam a montagem do secretariado. Poderia oferecer ao deputado uma posição de destaque justamente no período de preparação para a eleição municipal de 2028. E abriria uma pergunta incômoda dentro do grupo governista: ao acomodar Gaspar, JHC estaria fortalecendo um possível adversário de Rodrigo Cunha?

Cunha ocupa a Prefeitura de Maceió desde abril de 2026, após ter sido eleito vice na chapa de JHC em 2024. Sua trajetória recente está diretamente vinculada à do governador eleito. É dessa posição que poderá construir uma candidatura à reeleição, embora o cenário de 2028 ainda não esteja definido.

Gaspar, por sua vez, aparece entre os possíveis concorrentes ao comando da capital. A hipótese ganhou espaço na imprensa após a derrota da chapa presidencial da qual participou como candidato a vice. Trata-se de uma possibilidade política, não de uma candidatura anunciada.

É nesse cruzamento que a composição do governo estadual pode começar a influenciar a próxima eleição em Maceió.

Caso assuma uma função de destaque, Gaspar poderá manter presença no debate público, ampliar relações políticas e apresentar resultados de gestão. Para alguém que deixará a Câmara dos Deputados ao fim da atual legislatura, isso faria diferença: permitiria atravessar os próximos dois anos em uma posição institucional, em vez de depender apenas da atividade partidária e da exposição nas redes sociais.

O fortalecimento, porém, não seria automático. Dependeria da função ocupada, de seu desempenho e da capacidade de converter visibilidade em confiança do eleitor. Uma passagem pelo Executivo também produz cobranças e desgaste. Cargo não assegura voto.

Para Rodrigo Cunha, a questão seria outra. Como construir uma candidatura de continuidade apoiada por JHC se o próprio governo estadual der projeção a um nome que poderá disputar a mesma prefeitura?
O prefeito tem a oportunidade de mostrar resultados na administração municipal e construir uma identidade própria. Mas uma eventual candidatura de Gaspar poderia dividir lideranças, apoios partidários e parcelas do eleitorado que JHC gostaria de reunir em torno de um único projeto.

A convivência entre os dois seria possível durante a gestão. A disputa pela mesma cabeça de chapa é que exigiria uma definição.

Se ambos decidirem concorrer, JHC poderá tentar uma composição, apoiar um deles ou enfrentar a divisão de sua base na capital. Nenhuma dessas escolhas é indiferente. A preferência por Gaspar poderia frustrar a expectativa de continuidade de Cunha. A preferência por Cunha poderia limitar o projeto municipal de Gaspar e estimular a busca por outro palanque.

Por isso, uma eventual nomeação não deve ser analisada apenas como solução para o presente. O tamanho do espaço concedido, a visibilidade da função e a relação construída com o governador também poderiam pesar na correlação de forças de 2028.

Há, ainda, um limite importante: Maceió não pertence a um grupo político. Mesmo uma composição entre aliados não elimina outros candidatos nem substitui a avaliação dos eleitores sobre os serviços públicos e a gestão da cidade.

Não há, nas fontes consultadas, confirmação de nomeação de Gaspar, de candidaturas definidas ou de um acordo entre os três sobre 2028. O dilema aqui é prospectivo: se o governo fortalecer Gaspar e ele decidir disputar a prefeitura, Rodrigo Cunha poderá encontrar um concorrente projetado pela administração de seu principal aliado.

Haverá espaço para os dois no mesmo governo? Pode haver. Para os dois disputarem a Prefeitura de Maceió com o apoio exclusivo de JHC, não. Em algum momento, a convivência política exigirá uma escolha.