De 90,78% a uma diferença de apenas 54 votos: os dois extremos da vitória de Lula em Alagoas
Pariconha, no Alto Sertão, deu a Lula sua vitória proporcional mais expressiva no estado; na Barra de São Miguel, presidente superou Flávio Bolsonaro por apenas 0,84 ponto percentual
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Alagoas apresentou dois extremos no segundo turno das eleições de 2026. Enquanto Pariconha, no Alto Sertão, entregou ao petista sua maior votação proporcional no estado, a Barra de São Miguel, no Litoral Sul, registrou a menor vantagem de Lula entre os 93 municípios alagoanos vencidos por ele.
Em Pariconha, Lula recebeu 6.765 votos, equivalentes a 90,78% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro (PL) obteve somente 687 votos, ou 9,22%.
A diferença chegou a 6.078 votos e expressivos 81,56 pontos percentuais. O resultado colocou Pariconha não apenas na liderança alagoana, mas também entre os municípios brasileiros com maior votação proporcional para Lula no segundo turno.
O desempenho confirmou a forte preferência do eleitorado de Pariconha pelo presidente. No primeiro turno, Lula já havia alcançado 6.310 votos e 88,12% dos votos válidos no município. Na rodada final, acrescentou 455 votos e elevou sua participação para 90,78%.
Vitória decidida por 54 votos
No outro extremo aparece a Barra de São Miguel. Lula também venceu no município, mas por uma diferença de apenas 54 votos.
O presidente recebeu 3.204 votos, correspondentes a 50,42% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro somou 3.150 votos, ou 49,58%.
A distância entre os dois candidatos foi de somente 0,84 ponto percentual, fazendo da Barra de São Miguel a vitória menos expressiva de Lula entre os municípios alagoanos conquistados pelo petista.
A diferença é tão pequena que representa menos de um voto de vantagem para Lula a cada cem votos válidos depositados no município.
Dois retratos do mesmo estado
Pariconha e Barra de São Miguel representam realidades geográficas e eleitorais distintas. A primeira está localizada no Alto Sertão, região onde Lula tradicionalmente apresenta percentuais elevados. A segunda integra o Litoral Sul e a Região Metropolitana de Maceió, área na qual o eleitorado se mostrou mais dividido entre o petismo e o bolsonarismo.
Os resultados não permitem, isoladamente, apontar as causas da diferença. Para isso, seria necessário cruzar a votação com indicadores como renda, escolaridade, urbanização, participação em programas sociais, perfil religioso e comportamento eleitoral das disputas anteriores.
O contraste, entretanto, revela a diversidade do mapa político alagoano: no mesmo estado em que Lula ultrapassou 90% dos votos válidos, também precisou de uma diferença de apenas 54 votos para assegurar a vitória em outro município.
No resultado estadual, Lula recebeu 1.152.621 votos, equivalentes a 60,77% dos votos válidos. Flávio Bolsonaro terminou com 744.140 votos, ou 39,23%. O presidente venceu em 93 dos 102 municípios de Alagoas, enquanto o candidato do PL ficou à frente em nove.
É importante observar que o levantamento considera a votação proporcional e a margem entre os candidatos. Em números absolutos, devido ao tamanho do eleitorado, Maceió foi o município alagoano que mais entregou votos a Lula.