Alagoas deu a Lula saldo equivalente a 9,2% da vantagem nacional sobre Flávio Bolsonaro
Presidente abriu 408 mil votos no estado, venceu em 93 municípios e ampliou sua votação em 101 das 102 cidades alagoanas
A vantagem obtida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em Alagoas teve peso expressivo no resultado nacional do segundo turno. Lula recebeu 1.152.621 votos no estado, contra 744.140 de Flávio Bolsonaro (PL), abrindo uma diferença de 408.481 votos.
Esse saldo corresponde a 9,2% dos 4.430.191 votos que separaram os dois candidatos no resultado nacional. Lula foi reeleito com 64.256.232 votos, equivalentes a 51,79% dos válidos. Flávio terminou com 59.826.041 votos, ou 48,21%.
A comparação não significa que Alagoas, isoladamente, tenha decidido a eleição. O dado, porém, dimensiona a contribuição proporcional do estado para a margem nacional do presidente: quase um em cada dez votos da diferença final foi alcançado no território alagoano.
No primeiro turno, Lula havia recebido 995.459 votos em Alagoas, ante 735.718 de Flávio. A vantagem, que era de 259.741 votos, saltou para 408.481 no segundo turno — crescimento de 148.740 votos.
O presidente ganhou 157.162 votos entre as duas votações. Flávio Bolsonaro acrescentou somente 8.422. Com isso, Lula passou de 54,73% para 60,77% dos votos válidos, enquanto o candidato do PL recuou proporcionalmente de 40,45% para 39,23%.
Interior abriu vantagem de 429 mil votos
O principal motor da diferença foi o interior. Excluída Maceió, Lula recebeu 901.860 votos nos outros 101 municípios alagoanos, contra 472.349 de Flávio. A vantagem fora da capital chegou a 429.511 votos.
Flávio venceu em Maceió por 271.791 a 250.761, saldo de 21.030 votos. Mesmo derrotado na capital, Lula avançou de 203.850 votos no primeiro turno para 250.761 no segundo — acréscimo de 46.911 votos, o maior crescimento absoluto registrado por ele entre os municípios alagoanos.
O desempenho no interior mais do que compensou a derrota na capital. Lula venceu em 93 dos 102 municípios, enquanto Flávio ficou à frente em apenas nove. No primeiro turno, a divisão havia sido de 86 cidades para Lula e 16 para Flávio.
Sete municípios que haviam dado maioria a Flávio passaram para o lado de Lula: Barra de São Miguel, Coruripe, Flexeiras, Novo Lino, Porto de Pedras, São Luís do Quitunde e São Miguel dos Campos. Nenhuma cidade fez o movimento inverso.
Crescimento em 101 cidades
Lula aumentou sua votação absoluta em 101 dos 102 municípios alagoanos. A única exceção foi Belo Monte, onde caiu de 3.116 para 2.812 votos, embora ainda tenha vencido a disputa local.
Depois de Maceió, os maiores aumentos absolutos ocorreram em Arapiraca, onde o presidente ganhou mais 12.733 votos; Rio Largo, com 3.859; Palmeira dos Índios, com 3.660; e Penedo, com 3.369 votos adicionais.
Entre os municípios que mais contribuíram para o saldo estadual aparecem Delmiro Gouveia, com uma vantagem de 20.047 votos para Lula; Arapiraca, com 14.745; Girau do Ponciano, com 13.707; e Palmeira dos Índios, com 12.943.
Os números mostram que a ampliação da votação petista não ficou restrita às áreas nas quais Lula já possuía larga vantagem. Ele também cresceu nas nove cidades vencidas por Flávio, reduzindo diferenças e ajudando a ampliar o saldo estadual.
O resultado consolida Alagoas como uma das bases eleitorais mais importantes de Lula no Nordeste. Mais do que repetir a liderança do primeiro turno, o presidente ampliou sua presença territorial, conquistou municípios anteriormente favoráveis ao adversário e transformou a votação alagoana em uma parcela relevante da diferença que definiu a eleição nacional.