CULTURA

'Arquivo S' valoriza a preservação documental no Senado

Comemorando o Dia do Arquivista, o projeto destaca a importância do trabalho com o acervo da Casa.

Por Agência Senado Publicado em 21/10/2026 às 18:36
Arquivo S destaca a importância da memória institucional no Senado.

O Dia do Arquivista, celebrado em 20 de outubro, ressalta a relevância dos profissionais que organizam, preservam e disponibilizam documentos. No Senado, a conservação dos registros produzidos ao longo de 200 anos de atuação é desempenhada pelo Arquivo da Casa, que também apoiou o Arquivo S. Este projeto transforma o conteúdo dos documentos em reportagens acessíveis sobre o papel do Parlamento em momentos históricos do Brasil.

Memórias preservadas

O Arquivo S é uma iniciativa mensal da Agência Senado em parceria com o Arquivo, cujas reportagens são publicadas na primeira sexta-feira de cada mês no portal Senado Notícias. As matérias resgatam eventos marcantes da história nacional, utilizando registros, projetos de lei e discursos dos parlamentares guardados no acervo do Senado.

Para criar essas produções, é necessário interpretar a linguagem e o contexto dos documentos. O jornalista Ricardo Westin, que atua fortemente nas reportagens do Arquivo S, menciona que esse trabalho envolve a compreensão de informações explícitas e dos elementos implícitos nos textos.

— O maior desafio é decifrar tanto o que está claro quanto o que está silenciado nos registros. Para isso, contamos com historiadores especializados que elucidam o contexto e as intenções dos diferentes atores presentes na narrativa— explica.

A série foi iniciada em 2014, com a publicação de novos episódios mensalmente. Ao final de cada ano, os textos são compilados em volumes da coleção Arquivo S – O Senado na História do Brasil. As reportagens também receberam versões em áudio, feitas em colaboração com a Rádio Senado, ampliando o acesso ao conteúdo, especialmente para pessoas com deficiência visual.

Dentre as histórias resgatadas, Westin menciona o senador do Império, Bernardo Pereira de Vasconcelos, que subestimou a chegada da febre amarela ao Brasil em um discurso proferido por volta de 1850, falecendo meses depois devido à doença.

— Durante a pandemia de covid-19, realizamos uma reportagem analisando as quarentenas e as epidemias de febre amarela no Brasil. Nos documentos, encontramos um discurso onde o senador negava que a febre amarela fosse a doença que atingia o país. Meses depois, ele faleceu devido à enfermidade. Essa é uma história pouco divulgada, que não figura comumente nos livros didáticos.

Na próxima semana, será lançada a 11ª edição da coleção, com reportagens do ano anterior. A série possui dez volumes, tanto em formatos físico quanto digital, disponíveis para compra a preço de custo pela Livraria do Senado e downloads gratuitos através da Biblioteca do Senado.

O trabalho dos arquivistas

A produção do Arquivo S é viabilizada graças ao trabalho dos arquivistas, encarregados de classificar, organizar, avaliar e preservar documentos. Essas funções são cruciais para autenticar os registros e assegurar acesso ao público.

Westin ressalta a colaboração com estes profissionais para pesquisa e localização das documentações que fundamentam os conteúdos.

— O papel dos arquivistas do Senado para o Arquivo S é essencial. Eles são os responsáveis por localizar os documentos originais que utilizamos como fonte e para reproduzi-las em nossas matérias. Sem o arquivo, esse trabalho não seria realizável.

O Arquivo do Senado guarda cerca de 43 mil caixas de documentos gerados e recebidos nas atividades legislativas e administrativas, com acervos que remontam a 1788, incluindo projetos de lei, atas, anais, discursos, fotografias e outros registros.

Cidadania e democracia

Ao organizar e tornar os registros acessíveis, os arquivistas ajudam a preservar a memória institucional, facilitam a pesquisa e promovem a transparência nas ações públicas. Os documentos também servem como prova de decisões, tramitações e atos do poder público, contribuindo para a afirmação de direitos.

A relevância desse trabalho acompanha a Casa desde sua fundação. O Arquivo foi estabelecido na primeira sessão ordinária do Senado do Império, em 1826, com a função de proteger a documentação gerada, sendo considerado desde então sua “memória viva”.

Profissão histórica

A história de Alonso Carneiro Pestana de Aguiar ilustra a trajetória da arquivologia. Nascido em 1840, em Vila Araxá (MG), ele foi nomeado amanuense do Senado em 1864, cargo que abrangia funções de copista, escrevente ou secretário, assumindo posteriormente a responsabilidade pelo arquivo da instituição.

Alonso foi o primeiro “official archivista” da Câmara dos Senadores. Sua trajetória foi recuperada em pesquisa conjunta entre a Coordenação de Arquivo do Senado e a Universidade de Brasília (UnB), que trata de documentos do Brasil Imperial, revelando que os registros também conservam histórias de indivíduos que compuseram a Casa.

Lurya Rocha, sob supervisão de Dante Accioly

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)