Alckmin propõe transparência total para candidatos à presidência
Vice-presidente criticou resposta de Flávio Bolsonaro sobre sigilos e defendeu prestação de contas.
O vice-presidente na chapa de Lula, Geraldo Alckmin, afirmou nesta quarta-feira, 21, que candidatos eleitos à Presidência da República não deveriam ter sigilos bancário, fiscal ou telefônico. Durante entrevista coletiva em Campinas, no interior paulista, o vice também classificou como uma "desculpa" a resposta da campanha de Flávio Bolsonaro (PL) à cobrança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para que o adversário autorize a abertura dos sigilos dele e de sua família.
"Olha, ele está dando uma desculpa, né? Aliás, eu defendo que quem se elege presidente não devia ter sigilo, nem bancário, nem fiscal nem telefônico, vida pública é pública", afirmou Alckmin, ao ser questionado sobre a condição apresentada pela campanha de Flávio, que exige a abertura dos sigilos de cartões corporativos e de viagens em aviões particulares de Lula.
"Quem não quiser ter vida pública, vai pro setor privado. Agora, não dá para ter vida pública, ser candidato ao presidente da República, não querer prestar contas", acrescentou o vice.
Ao cobrar explicações de Flávio, Alckmin também mencionou as suspeitas sobre o candidato, entre elas a recém revelada sobre o escritório de advocacia de Flávio, que teria emitido ao menos R$ 13,7 milhões em notas fiscais entre janeiro de 2023 e julho de 2026, período em que ele exercia mandato parlamentar.
Transporte gratuito, MEIs e escala de trabalho
Questionado sobre o financiamento da proposta de transporte público gratuito nos fins de semana e se os custos da medida seriam discutidos ainda durante a campanha, Alckmin não apresentou estimativas de impacto fiscal nem detalhou como a gratuidade seria custeada. O vice-presidente mencionou a possibilidade de utilizar parte das emendas parlamentares para financiar a iniciativa. "Uma parte das emendas é para isso", afirmou, ao defender que a medida permitiria à população aproveitar os dias de descanso para atividades de lazer e convivência familiar.
Como mostrou a Broadcast (sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado) nesta segunda-feira, 19, a equipe econômica calcula que o custo da medida seria entre R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões por ano. A ideia é que a medida seja inteiramente bancada por emendas parlamentares, sem a criação de despesa nova no orçamento.
Na resposta, Alckmin dedicou maior atenção à proposta de substituição da escala de trabalho 6x1 pelo modelo 5x2, com dois dias de descanso semanal. O vice argumentou que os avanços tecnológicos, a automação e o uso crescente da inteligência artificial (IA) permitem reduzir a jornada de trabalho.
Alckmin também defendeu as mudanças nas regras dos microempreendedores individuais (MEIs), incluindo a ampliação gradual do limite de faturamento anual, atualmente de R$ 81 mil, para R$ 110 mil e, posteriormente, R$ 140 mil, além da possibilidade de contratação de dois empregados, em vez de um. Segundo o vice-presidente, as alterações ajudariam a impulsionar os pequenos negócios.
As declarações foram dadas durante uma agenda de campanha em Campinas, onde Alckmin participou de um ato ao lado de Fernando Haddad (PT), a quatro dias do segundo turno presidencial.