Flávio tenta barrar no TSE publicações sobre crime organizado e jornada de sete dias
Processos discutem postagens relacionadas à Operação Unha e Carne e à chamada “escala 7x0”; resultado definitivo não havia sido publicado até o fechamento
O Tribunal Superior Eleitoral incluiu na pauta desta terça-feira (20) duas representações apresentadas pelo Partido Liberal contra publicações consideradas ofensivas ou desinformativas pela campanha de Flávio Bolsonaro. Os processos tratam de conteúdos que associam o candidato a uma operação contra o crime organizado e à possibilidade de trabalhadores cumprirem sete dias seguidos de jornada.
Na Representação 0600539-97.2026.6.00.0000, o PL questiona vídeos e imagens que relacionam Flávio à Operação Unha e Carne e a organizações criminosas. Segundo o partido, o candidato não foi investigado, citado ou mencionado na operação. O processo está sob relatoria da ministra Estela Aranha.
A segunda ação, de número 0600935-74.2026.6.00.0000, contesta publicações nas plataformas X e Threads que atribuem a Flávio uma proposta de “escala 7x0”. O PL afirma que a PEC 12/2026 não elimina o descanso semanal nem autoriza sete dias consecutivos de trabalho. A relatoria é do ministro André Mendonça. Os dois casos constam da pauta oficial do TSE.
No processo sobre a escala de trabalho, André Mendonça havia determinado a retirada das postagens. Quando o caso foi submetido ao plenário virtual, porém, formou-se maioria para derrubar a decisão e permitir a circulação do conteúdo.
A ministra Estela Aranha abriu a divergência e foi acompanhada por Dias Toffoli, Antonio Carlos Ferreira, Ricardo Villas Bôas Cueva e Floriano de Azevedo Marques. Um pedido de destaque do ministro Nunes Marques transferiu a discussão para o plenário presencial, onde os ministros podem alterar seus votos.
Até o fechamento desta matéria, não havia sido localizado no portal do TSE resultado oficial definitivo da sessão. Por isso, não é possível afirmar que as postagens tenham sido definitivamente autorizadas ou proibidas.
Os julgamentos interessam diretamente a Alagoas porque Alfredo Gaspar integra a chapa como candidato a vice-presidente. Também colocam novamente em debate os limites entre crítica política, interpretação de propostas legislativas, liberdade de expressão e desinformação durante a campanha eleitoral.