SERVIÇO PÚBLICO NA MIRA

Coordenadora econômica de Flávio sugere substituir carreiras públicas por inteligência artificial; veja vídeo

Ex-presidente da Caixa no governo Jair Bolsonaro, Daniella Marques compara funções administrativas do Estado às de empresas privadas e coloca a substituição de trabalhadores no debate eleitoral

Por Redação Publicado em 20/10/2026 às 20:45
Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro e ex-presidente da Caixa, questiona a possibilidade de substituir carreiras administrativas e operacionais do funcionalismo por inteligência artificial

A coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), Daniella Marques, levantou a possibilidade de substituir carreiras administrativas e operacionais do funcionalismo público por inteligência artificial. Em declaração registrada em vídeo, ela compara a utilização da tecnologia nas empresas privadas ao que poderia ser feito nas estruturas internas do governo.

“Quantas carreiras administrativas e operacionais podem ser substituídas no funcionalismo público a partir de inteligência artificial?”, questiona.

A declaração ganha relevância pelo papel ocupado por Daniella na candidatura: ela participa da formulação das propostas econômicas de Flávio e atua como porta-voz da campanha nessa área. Foi também presidente da Caixa Econômica Federal durante o governo de Jair Bolsonaro.

Assista ao vídeo ao final da matéria.

Ao desenvolver o argumento, Daniella faz referência ao chamado back-office, expressão utilizada para designar atividades internas de apoio administrativo e operacional. Ela aproxima a discussão sobre o funcionalismo das mudanças que empresas privadas podem realizar com a adoção da inteligência artificial.

“Vocês vão fazer isso no back-office de vocês?”, pergunta.

A fala coloca no centro do debate eleitoral o futuro das carreiras públicas e da reposição de trabalhadores. Por partir de uma coordenadora da candidatura, representa uma indicação das alternativas discutidas no núcleo responsável por elaborar a orientação econômica de um eventual governo Flávio Bolsonaro.

A defesa de uma estrutura estatal menor também apareceu em outras declarações de Daniella. Durante o 25º Fórum Empresarial do Grupo Lide, ela propôs reavaliar carreiras operacionais diante do avanço da inteligência artificial e afirmou que um eventual governo do candidato poderia ter entre 20 e 25 ministérios. As declarações foram registradas em reportagem da revista Veja.

A possibilidade de substituir profissionais por sistemas automatizados já provocou reação sindical. Em publicação de 9 de outubro, o Sindicato dos Servidores das Justiças Federais no Estado do Rio de Janeiro (Sisejufe) criticou outra manifestação de Daniella, na qual ela questionava a realização de concursos para repor aposentadorias e sugeria avaliar a substituição por IA ao longo do tempo.

Para a entidade, reduzir quadros sem reposição adequada pode aumentar a sobrecarga de trabalho e comprometer a qualidade e a agilidade dos serviços prestados à população. O sindicato defende que a discussão considere as funções exercidas pelos profissionais e os efeitos sobre o atendimento.

No trecho apresentado, Daniella levanta a hipótese de substituição de carreiras, mas não detalha quais seriam atingidas, quantos postos estariam envolvidos ou como a mudança seria implementada. A declaração, portanto, aponta uma direção de debate dentro da equipe econômica, sem apresentar um programa completo de execução.

A questão exige esclarecimentos da candidatura de Flávio: quais atividades pretende automatizar, como trataria as vagas abertas por aposentadorias e quais critérios utilizaria para preservar a capacidade de atendimento do Estado.
Para servidores e candidatos a concursos, o tema envolve o futuro do trabalho. Para a população, envolve também a estrutura disponível para prestar os serviços públicos.

Veja abaixo o vídeo com a declaração de Daniella Marques, coordenadora econômica da campanha de Flávio Bolsonaro.