POLÍTICA

Meta reconhece falhas em campanha de Lula e nega intenção de interferir nas eleições

Empresa diz que problemas técnicos afetaram também a campanha de Flávio Bolsonaro.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/10/2026 às 12:32
Meta AP/Jeff Chiu, Arquivo

A empresa Meta, responsável pelas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp, admitiu, por meio de nota, na última sexta-feira, 16, que falhas técnicas no impulsionamento de anúncios impactaram a campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição em 2026. No entanto, a empresa negou qualquer interferência política nas eleições brasileiras e afirmou que os problemas foram rapidamente corrigidos, ressaltando que o candidato Flávio Bolsonaro também relatou falhas.

Em comunicado, a Meta declarou: "Hoje, compartilhamos informações sobre incidentes técnicos recentes que afetaram campanhas de diferentes posições do espectro político nas eleições brasileiras de 2026. A Meta não toma partido nessa nem em nenhuma outra eleição, e são falsas e infundadas as alegações de que estamos favorecendo ou interferindo em nome de qualquer candidato ou grupo político".

De acordo com uma reportagem do jornal Folha de S. Paulo, funcionários da Meta comentaram internamente que a campanha de Lula estava sendo limitada no Instagram em comparação à de Flávio. Em 9 de outubro, a campanha do partido dos trabalhadores ficou impossibilitada de impulsionar postagens no Instagram por quase 24 horas.

Segundo a Meta, nesse dia houve uma "falha global no Gerenciador de Anúncios" e não uma "ação direcionada a uma campanha política específica". "Em 9 de outubro, a Meta identificou uma falha global no Gerenciador de Anúncios, causada por uma atualização de código, que impediu temporariamente anunciantes de criar anúncios a partir de publicações já feitas no Instagram. Os uploads diretos pelo Gerenciador de Anúncios continuaram funcionando para a criação de novos anúncios, e a campanha de Lula nunca foi impedida de fazer anúncios dessa maneira nesse período", explicou a empresa.

"O incidente afetou milhares de anunciantes em diferentes países e terminou depois que a atualização de código foi revertida, nas primeiras horas de 10 de outubro. Além disso, os anúncios que estavam em veiculação, inclusive os da campanha de Lula, não foram afetados. Tratou-se de um evento técnico, e não de uma ação direcionada a uma campanha política específica".

Recentemente, em 14 de outubro, a Meta foi acusada de impedir usuários de criar imagens eleitorais do presidente Lula, ao mesmo tempo em que permitia a criação de imagens de Flávio Bolsonaro. Este episódio levou o PT a entrar com uma ação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra a Meta, que se comprometeu a reforçar suas medidas de segurança.

A empresa alegou que houve uma "lacuna específica" nas proteções. "Alguns prompts que usavam 'Flávio' com seu número podiam gerar imagens de cartazes. A mesma lacuna afetava o outro candidato: prompts que usavam 'Luiz' com o número de Lula também podiam gerar imagens de cartazes. Bloquear isoladamente nomes comuns como 'Flávio' ou 'Luiz' impediria muitas solicitações cotidianas de geração de imagens e não políticas. Corrigimos essa lacuna no mesmo dia", afirmou a Meta.

TSE proíbe limitação de conteúdo

No dia 16, o plenário do TSE referendou por unanimidade a decisão do ministro Marco Aurélio Bellizze que proibiu a Meta de limitar o alcance de conteúdos políticos relacionados aos candidatos à Presidência. Essa decisão atendeu parcialmente a um pedido da coligação de Lula e, caso não seja cumprida, estabelece uma multa diária de R$ 500 mil.

A decisão determina que a Meta está proibida de limitar o alcance de conteúdos políticos sobre os candidatos e de favorecer qualquer um deles no uso da ferramenta de inteligência artificial Meta AI. Além disso, não poderá veicular anúncios de teor político-eleitoral para o público brasileiro que forem pagos ou geridos por contas estrangeiras.

Entretanto, a decisão não se refere a irregularidades cometidas pela Meta antes da ação. Para que existam punições por fatos passados, seria necessária uma nova decisão do relator.

O pedido apresentado ao TSE pela Coligação Brasil Pronto pra Mais alega que a Meta cometeu várias condutas que, segundo a campanha, violariam a paridade de condições entre os candidatos. A ação menciona um vídeo publicado por Lula no Instagram em 7 de outubro, que teve mais curtidas do que visualizações.