MACEIÓ

"Um bairro inteiro bateu panela, mas só o porteiro foi detido”: Teca Nelma cobra explicações sobre ação da PM em Maceió

Deputada eleita pelo PT questiona condução de trabalhador durante protesto contra Flávio Bolsonaro, aciona Secretaria de Segurança Pública e oferece apoio ao porteiro Edmilson

Por REDAÇÃO Publicado em 17/10/2026 às 11:40
"Um bairro inteiro bateu panela, mas só o porteiro foi detido”: Teca Nelma cobra explicações sobre ação da PM em Maceió

A deputada eleita Teca Nelma (PT) cobrou, neste sábado (17), esclarecimentos sobre a atuação da Polícia Militar de Alagoas durante um panelaço contra o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro, realizado na noite de sexta-feira (16), em Maceió. A manifestação ganhou repercussão após um porteiro identificado como Edmilson ser conduzido por policiais, embora outros moradores também participassem do protesto.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, a parlamentar questionou os critérios utilizados pelos policiais para abordar o trabalhador, destacando que a manifestação envolvia diversos moradores da região.

“Um bairro inteiro bateu panela, mas só o porteiro foi detido”, afirmou Teca Nelma, resumindo o episódio que provocou questionamentos sobre a atuação policial e o respeito ao direito constitucional de manifestação.

A deputada eleita chamou atenção para a condição do trabalhador, que estava exercendo suas atividades na portaria de um edifício quando foi alvo da intervenção policial, conforme o relato apresentado sobre o episódio.

“Se diversas pessoas participavam do mesmo protesto, por que justamente o trabalhador da portaria foi detido?”, questionou.

Teca Nelma ressaltou que a Constituição Federal assegura a liberdade de expressão e o direito à manifestação, independentemente da posição política, profissão ou condição social do cidadão.

A parlamentar também reconheceu a importância da Polícia Militar para a segurança pública, mas defendeu que eventuais excessos sejam investigados.

“A Polícia Militar tem um papel fundamental na garantia da segurança da população, mas não podemos admitir que qualquer cidadão seja constrangido ou tenha seus direitos violados por exercer sua liberdade de expressão”, declarou.

Cobrança à Segurança Pública

Diante da repercussão, Teca Nelma anunciou que está entrando em contato com o secretário de Segurança Pública de Alagoas para solicitar esclarecimentos formais sobre a ocorrência.

Segundo ela, é necessário apurar as circunstâncias da condução do porteiro e, caso sejam constatadas irregularidades, adotar as providências cabíveis.

A deputada eleita informou ainda que já conversou pessoalmente com Edmilson e colocou-se à disposição do trabalhador e de seus familiares para oferecer apoio e acompanhar os desdobramentos do caso.

“Já falei com o senhor Edmilson e me coloquei à disposição dele e de toda a sua família para oferecer apoio e acompanhar todos os desdobramentos desse caso”, afirmou.

Liberdade de manifestação

O episódio ocorreu durante um panelaço realizado enquanto Flávio Bolsonaro concedia entrevista à televisão. Moradores manifestaram sua insatisfação por meio do barulho de panelas, uma forma de protesto político utilizada em diferentes momentos da história recente do país.

A Constituição Federal, em seu artigo 5º, assegura a liberdade de manifestação do pensamento e o direito de reunião pacífica, observadas as condições constitucionais. A eventual ocorrência de abuso policial, entretanto, depende da apuração das circunstâncias concretas da abordagem.

Para Teca Nelma, o episódio ultrapassa as divergências entre apoiadores e adversários de candidatos e exige uma resposta institucional.

“Não permitiremos que nenhum direito seja violado e nem que a nossa democracia seja ameaçada”, declarou.

A manifestação da deputada eleita acrescenta uma cobrança política por transparência à ocorrência. Permanecem pendentes esclarecimentos oficiais sobre a motivação da condução, a eventual existência de acusação formal contra Edmilson e os procedimentos adotados pelos policiais.

Atualização da apuração: reportagens publicadas neste sábado confirmam que Edmilson foi liberado após prestar esclarecimentos na Central de Flagrantes. Segundo o advogado Matheus Gonzaga, a condução ocorreu inicialmente por suspeita de desacato, mas a ocorrência foi registrada como perturbação do sossego. A defesa contesta os dois enquadramentos.

O episódio ocorreu na Ponta Verde. Até as reportagens consultadas nesta manhã, não havia manifestação oficial das autoridades policiais esclarecendo a abordagem.