ELEIÇÕES

Atriz alagoana Vitória Rodrigues relembra origem humilde e faz apelo contra o desânimo no segundo turno

Filha de gari e de ex-merendeira, atriz da Globo conta que ajudava a mãe a limpar a escola onde estudava e relaciona sua trajetória de superação à necessidade de manter a mobilização política

Por Redação Publicado em 06/10/2026 às 22:27
Vitória Rodrigues

A atriz alagoana Vitória Rodrigues, que integra o elenco da TV Globo, publicou nas redes sociais um depoimento sobre sua trajetória pessoal e aproveitou a própria história para fazer uma reflexão política após o resultado do primeiro turno das eleições.

Nascida em uma realidade simples no interior de Alagoas, Vitória recordou as dificuldades enfrentadas antes de chegar à televisão. Filha de um gari e de uma merendeira, contou que chegou a ajudar a mãe na limpeza das mesmas salas de aula onde estudava.

“Eu sou alagoana. Eu venho de um lugar chamado Novo Rio, de quatro mil habitantes. Meu pai é gari, minha mãe é aposentada, mas era merendeira na escola onde eu estudei. Eu limpei as salas que eu estudava junto com a minha mãe”, relatou.

Naquela época, segundo Vitória, o sonho de tornar-se atriz nem sempre era levado a sério pelas pessoas ao seu redor.

“Eu estava lá sonhando em querer ser atriz, eu via muita risadinha de deboche, eu vi muita gente desacreditando do meu sonho”, afirmou.

“Hoje estou fazendo a segunda novela”

Vitória utilizou a própria trajetória para defender que dificuldades e frustrações não devem levar à desistência.

“Se eu tivesse desanimado pela dificuldade, se eu tivesse desanimado pelo deboche do povo, eu não estaria hoje fazendo a segunda novela na maior emissora desse país”, disse.

A atriz então transportou a experiência pessoal para o momento político vivido pelo país após o primeiro turno.

Sem esconder a frustração com o resultado eleitoral, Vitória afirmou que o sentimento não deve se transformar em paralisia.

“Se a gente desanimar pelos resultados que não condizem com o que a gente esperava, a gente tá lascado”, declarou.

Paulo Freire e a resistência à desesperança

Em outro trecho, a alagoana citou o educador Paulo Freire para falar sobre esperança e resistência.

Segundo Vitória, é justamente nos momentos de maior desalento que existe a necessidade de continuar reagindo.

“Os momentos que ele se sente desesperançoso, aí é que ele resiste. Porque o algoz espera exatamente isso da gente. É no desânimo, é no cansaço que a gente aceita tudo que vier, tudo que é imposto pra gente”, afirmou.

A declaração foi feita diante da disputa presidencial que segue agora para o segundo turno.

Vitória reconheceu que não há resultado garantido, mas argumentou que a incerteza não deve ser motivo para abandonar a mobilização.

“Possa ser que a gente ganhe e possa ser que não. Mas a gente não vai saber e não vai conseguir conquistar o que a gente quer se a gente se desesperançar pela realidade”, declarou.

“Estou triste, estou revoltada, mas não estou paralisada”

Ao final, Vitória voltou à própria história. Para ela, ter conseguido construir uma carreira artística partindo de uma realidade muito distante daquela normalmente associada ao universo da televisão tornou-se uma referência pessoal para enfrentar também momentos de adversidade política.

“Eu sei o que é enfrentar uma realidade totalmente diferente do que as pessoas esperam de uma realidade para uma pessoa como eu”, afirmou.

A atriz encerrou o depoimento resumindo seu estado de espírito depois do primeiro turno:

“Sim, estou triste. Sim, estou revoltada. Mas não estou paralisada. E eu espero que vocês também não.”

A mensagem repercute como um chamado de Vitória Rodrigues para que seus seguidores não transformem a frustração com as urnas em desistência às vésperas do segundo turno. Ao relacionar política e história pessoal, a atriz alagoana colocou no centro de seu depoimento a mesma ideia que, segundo ela, marcou sua caminhada da escola onde ajudava a mãe a limpar salas até chegar às novelas da televisão: não desistir diante de uma realidade adversa.