POLÍTICA

Flávio Bolsonaro e Lula se enfrentam em segundo turno histórico

Disputa tem a menor margem de diferença entre candidatos na história das eleições brasileiras.

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/10/2026 às 21:54
Lula e Flávio Bolsonaro © Foto / Marcelo Camargo / Agência Brasil / Waldemir Barreto / Agência Senado

O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) irão se enfrentar no segundo turno, que promete ser o mais acirrado da história do Brasil. Com 96,78% das urnas apuradas, o resultado foi oficializado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Flávio contabilizou até o momento 54.761.247 votos, enquanto Lula obteve 51.473.436, resultando em uma diferença de 3.287.811 votos.

A diferença entre os dois candidatos representa a menor já registrada desde a redemocratização, superando o cenário de 2022, onde Lula e Jair Bolsonaro (PL) tiveram uma distância de 6,1 milhões de votos no primeiro turno.

- 1989: 8.988.709

- 1994: 17.242.834

- 1998: 14.461.171

- 2002: 19.749.788

- 2006: 6.693.996

- 2010: 14.519.151

- 2014: 8.370.457

- 2018: 17.934.985

- 2022: 6.187.159

Flávio Bolsonaro ganhou apoio através do movimento de voto útil nas últimas semanas da campanha. Segundo as principais pesquisas, o senador tinha 36% das intenções de voto em pesquisa do Datafolha há duas semanas e chegou a 47,48% dos votos válidos até o final do domingo. Lula, inicialmente com 40%, fechou com 44,63% dos votos válidos.

Uma pesquisa do Datafolha na véspera da eleição já indicava a aproximação dos candidatos, com Lula marcando 42% dos votos totais e Flávio 40%. Considerando os votos válidos, Lula tinha 45% e Flávio 42%.

O segundo turno está agendado para 25 de outubro, e ambos os candidatos terão três semanas para conquistar o eleitorado que optou por outros candidatos e os mais de 32 milhões de eleitores que não votaram no primeiro turno.

Flávio Bolsonaro se beneficia do fato de que a maioria dos candidatos derrotados está mais alinhada à direita. Ele busca apoio de Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante). Além disso, o senador tenta atrair o eleitorado de Renan Santos (Missão), apesar da ausência de apoio público desse último.

Em contrapartida, Lula terá que encontrar maneiras de se aproximar deste eleitorado já que muitos dos candidatos derrotados são mais próximos do bolsonarismo. O presidente conta com a estrutura do governo ao seu favor neste período final.

Apostas de Flávio

Flávio irá focar em pautas populares, expansão de sua base e participação de aliados ou adversários que não conseguiram se eleger. O senador chegou ao primeiro turno sem coligações e busca apoio em partidos como PP, União Brasil e Republicanos, que optaram pela neutralidade no primeiro turno.

Conforme articuladores, Flávio planeja explorar a corrupção, não através dos escândalos tradicionais, mas chamando a atenção para Lulinha, o filho do presidente, que é investigado por fraudes em aposentadorias.

Apostas de Lula

O ex-presidente deverá reestruturar sua campanha para contrariar o favoritismo de Flávio e revitalizar sua militância após o resultado desapontante. O primeiro passo na nova campanha será a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que visa a alteração das escalas de trabalho, pautada para a próxima terça-feira, 6.

O clima no QG do PT era de preocupação e frustração, uma vez que Lula foi considerado favorito nas pesquisas até o final da campanha. Os petistas trabalham para evitar que qualquer apoio do Centrão a Flávio seja declarado publicamente.