POLÍTICA

Flávio critica Lula por declarações sobre a Igreja Católica

Candidato do PL afirma que presidente Lula representa ameaça à liberdade religiosa.

Por Estadao Conteudo Publicado em 19/09/2026 às 19:46
Flávio Bolsonaro © Foto / Lula Marques / Agência Brasil

O candidato do PL à presidência da República, Flávio Bolsonaro, criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por declarações sobre a Igreja Católica e afirmou que o adversário petista representa uma "ameaça" à liberdade religiosa. As acusações ocorreram em comício no município de Chapecó (SC), neste sábado, 19.

Flávio, que é evangélico, fez referência a falas de Lula, que é católico, dadas durante um encontro no Palácio do Planalto com pastores evangélicos brasileiros e estadunidenses. Naquela ocasião, Lula enalteceu igrejas evangélicas pelo espaço dado às mulheres e disse que o mesmo deveria ocorrer nas igrejas católicas. O presidente também criticou o celibato.

"Eu conheço o trabalho da Igreja Católica, conheço o trabalho da Igreja Evangélica", disse Lula aos pastores, na quarta-feira, 16. O petista continuou: "Eu já tive a oportunidade de falar para o Papa Francisco: enquanto a Igreja Católica não acabar com o celibato e permitir que as mulheres possam ser padres, possam ser bispos, as mulheres poderem falar, a gente vai ver a Igreja Católica passar dificuldades".

O presidente da República acrescentou: "Essa é uma vantagem que a Igreja Evangélica tem. As mulheres são tratadas em igualdade de condições. A mulher pode ser o que ela quiser. E é isso que faz com que a Igreja Evangélica tenha crescido tanto no Brasil".

No comício, Flávio classificou as declarações como "ameaça" à liberdade das igrejas. "Não bastasse ele ser um perigo para o nosso agro, ele ser um perigo para a segurança alimentar do Brasil e do mundo, ao ameaçar o agro, ele chegou ao ponto agora, gente, de querer se meter no que a Igreja Católica pode fazer ou não", afirmou o candidato do PL.

Flávio prosseguiu: "Um presidente da República ou um político que se acha no direito de falar como uma igreja, seja católica, seja evangélica, deve se comportar, é um perigo para a liberdade religiosa. E eu falo como evangélico que sou, mas, acima de tudo, sou cristão".

Ele acrescentou: "Com a vontade de Deus, a partir de janeiro do ano que vem nós vamos entregar o Brasil nas mãos do Senhor Jesus, e vai ser Deus que vai tomar conta desta Nação. Eu respeito todas as religiões. Comigo não vai ter esse tipo de ameaça".

As declarações de Lula também foram alvo de manifestação de repúdio da Frente Parlamentar Católica Apostólica Romana da Câmara dos Deputados, presidida pelo deputado federal Luiz Gastão (PSD-CE), na sexta-feira, 18.

"O Estado brasileiro é laico justamente para assegurar a liberdade religiosa e o respeito a todas as confissões. Autoridades públicas podem e devem dialogar com as religiões, mas esse diálogo precisa respeitar a identidade, a doutrina e a autonomia de cada tradição religiosa, sem pretender indicar como devem organizar sua vida interna", diz nota.