CASO IPREV-MASTER

Maceió amanhece com caixas de dinheiro e pergunta: onde estão os R$ 97 milhões aplicados no Master?

Estruturas foram espalhadas pela orla, Centro, Farol e outros pontos para questionar investimento feito pelo Iprev durante a gestão JHC

Publicado em 19/09/2026 às 15:13
Maceió amanhece com caixas de dinheiro e pergunta: onde estão os R$ 97 milhões aplicados no Master?

Maceió amanheceu neste sábado (19) com caixas cenográficas cobertas por reproduções de notas de R$ 100 e mensagens sobre os R$ 97 milhões aplicados pelo Instituto de Previdência dos Servidores Públicos do Município de Maceió (Iprev) no Banco Master durante a gestão de JHC.

As estruturas apareceram na orla, no Centro, no Farol e em outros pontos da capital. Uma delas foi instalada no Terminal do Benedito Bentes. Na placa, o material afirma: “R$ 97 milhões que o Master roubou de Maceió. Juntando o dinheiro dá para olhar que o rombo é gigante”. Não havia identificação visível da autoria da intervenção.

O valor questionado corresponde a dois investimentos realizados pelo Iprev em letras financeiras do Banco Master: R$ 80 milhões aplicados em 6 de dezembro de 2023 e outros R$ 17 milhões em 13 de maio de 2024. Os aportes foram feitos durante a administração de JHC na Prefeitura de Maceió.

Segundo levantamento da Polícia Federal, a política de investimentos do instituto previa, em 2023, exposição de 0% a ativos bancários. Em 2024, o limite passou a 5%, mas a concentração de recursos do Iprev no Master teria alcançado aproximadamente 20%. A PF também apontou ausência de fundamentação técnica suficiente e de estudos aprofundados sobre riscos, liquidez, solvência e alternativas de investimento.

O caso passou a ser investigado sob suspeitas de credenciamento irregular, cotações simuladas, conflito de interesses e eventual pagamento de vantagens relacionado ao direcionamento dos recursos. O Tribunal de Contas do Estado de Alagoas transformou, por unanimidade, o processo sobre os R$ 97 milhões em auditoria. A decisão não representou condenação e assegurou o direito de defesa aos envolvidos.

Após a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, o Iprev afirmou que não existe prejuízo consolidado e que o crédito foi habilitado no processo de liquidação. O instituto também sustentou que os R$ 97 milhões correspondiam a cerca de 8% de seu patrimônio.

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