“Eles não olham no olho”: publicitário diz que JHC e o pai João Caldas mantêm calote há 12 anos; Veja vídeo
Credor afirma que ainda não recebeu pelos serviços prestados na campanha de 2014; cobrança judicial, estimada em cerca de R$ 700 mil, tramita há 11 anos e já teve bloqueio determinado pela Justiça
Mesmo após a determinação judicial de bloqueio de valores nas contas do candidato ao Governo de Alagoas JHC e de seu pai, o ex-deputado federal João Caldas, a dívida pelos serviços publicitários prestados durante a campanha eleitoral de 2014 ainda não foi paga.
Em entrevista, o publicitário responsável pela Imagine Comunicação & Marketing afirmou que o débito já completa 12 anos, considerando o período de planejamento da campanha, e que a cobrança tramita oficialmente na Justiça há 11 anos.
“Já completamos 12 anos, contando a partir de 2014. Uma campanha não começa no mês em que aparece o guia eleitoral. A campanha publicitária é planejada seis meses antes. Existe um custo antes, durante e até depois, quando é emitida a nota fiscal”, explicou.
Segundo o publicitário, a ação judicial foi ajuizada em 2015, após sucessivas tentativas de receber pelos serviços prestados. Desde então, afirma, JHC e João Caldas nunca apresentaram uma justificativa para o não pagamento.
“São 12 anos do calote e 11 anos oficialmente colocados na Justiça. Quando não se ouve nenhuma resposta de JHC em relação ao pagamento, quando ele simplesmente não diz o motivo de não pagar, para mim está claro: é calote. Quem não tem intenção de pagar está dando calote”, declarou.
“Eles não atendem e viram as costas”
O publicitário também relatou que tentou manter contato direto com JHC e João Caldas, mas que os dois teriam deixado de atendê-lo depois da prestação dos serviços.
“Eles não olham no olho. Mandam recado. A gente não é atendido, eles são blindados. A partir do momento da formatação do calote, eles não respondem, não atendem. Simplesmente viram as costas”, afirmou.
Ainda conforme o credor, nenhum dos contratantes teria explicado por que o serviço não foi pago.
“Em nenhum momento eles responderam o motivo do não pagamento. Eles ignoram. Literalmente ignoram. Contratam, têm o serviço, recebem o produto e não pagam”, acrescentou.
A cobrança alcança tanto JHC quanto João Caldas. Segundo o publicitário, a Imagine apresentou à Justiça os contratos eleitorais que vinculavam os dois políticos à campanha de 2014.
João Caldas chegou a disputar uma vaga na Câmara dos Deputados naquele ano, mas desistiu da candidatura. Na entrevista, o publicitário sustentou que a retirada de João Caldas fazia parte da estratégia política destinada a fortalecer a candidatura do filho.
“A Imagine tinha o contrato dos dois registrado no TRE e colocou os dois na ação. Portanto, os dois têm a mesma quantidade de anos nessa cobrança”, declarou.
Bloqueio foi determinado pela Justiça
A ação de execução de título extrajudicial tramita sob o número 0710754-04.2015.8.02.0001, na 7ª Vara Cível da Capital.
No dia 31 de agosto de 2026, o juiz Jamil Amil Albuquerque de Hollanda Ferreira autorizou a realização de buscas e bloqueios nas contas bancárias de JHC e João Caldas pelo Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário, o Sisbajud.
O magistrado determinou a utilização da modalidade conhecida como “teimosinha”, por meio da qual o sistema repete automaticamente, durante determinado período, as tentativas de localizar dinheiro nas contas dos devedores. No caso, as buscas foram autorizadas por 30 dias, até o limite do débito executado.
O valor atualizado da cobrança é estimado em aproximadamente R$ 700 mil, embora esse montante não tenha sido expressamente fixado na decisão que autorizou a busca por ativos financeiros.
Na mesma decisão, o juiz não autorizou, naquele momento, os pedidos de bloqueio de veículos, imóveis, participações empresariais e eventual patrimônio comunicável da esposa de JHC. O magistrado aplicou a ordem legal de preferência prevista no Código de Processo Civil, que estabelece prioridade para a penhora de dinheiro.
Apesar da medida judicial, o publicitário afirmou que ainda não recebeu o valor devido.
Profissionais foram pagos com recursos da empresa
O representante da Imagine também contou que precisou arcar com os pagamentos dos profissionais contratados para trabalhar na campanha eleitoral. Segundo ele, fotógrafos, produtores, designers e demais integrantes da equipe receberam da própria agência, mesmo sem que os contratantes quitassem a dívida.
“Os profissionais todos foram pagos. Eu paguei do meu bolso porque não recebi. Eles não levaram esse calote, porque eu não faria isso. Tenho honestidade, índole profissional e respeito pelas pessoas que trabalharam”, afirmou.
Ele classificou o valor atualmente cobrado como “modesto” diante do tempo transcorrido e dos prejuízos suportados pela empresa.
“Pode ser um valor modesto para quem tem um patrimônio elevado, mas não é modesto para os profissionais e para a empresa que teve de pagar tudo sem receber pelo serviço”, declarou.
“Não é uma questão política”
O publicitário também rebateu a tentativa de apresentar a cobrança como um assunto motivado pela disputa eleitoral de 2026.
Segundo ele, o processo não surgiu durante a atual campanha: foi ajuizado em 2015 e trata de uma relação comercial decorrente de serviços efetivamente prestados em 2014.
“Não é de cunho político. É uma questão profissional e pessoal. Eu não sou político, não tenho pretensões políticas e não sou partidário. Sou um profissional e um executivo”, afirmou.
A campanha de JHC já havia classificado a cobrança como um “processo antigo” e informado que recorreria da decisão judicial. Para o publicitário, porém, a antiguidade da ação reforça a demora para que o conflito seja solucionado.
“Eu espero que a Justiça realmente seja feita e que seja célere, apesar de até agora não ter sido. Nosso processo tem 11 anos”, disse.
Credor cobra resposta de JHC
Durante a entrevista, o publicitário afirmou que decidiu falar publicamente por considerar que não existe razão para esconder uma dívida judicializada há mais de uma década.
“Muita gente perguntou se eu tinha coragem de expor. Por que não? Eu estou comentando o nosso caso, que está muito claro. São 11 anos na Justiça”, declarou.
Ele disse esperar não apenas o pagamento da dívida, mas uma explicação pública de JHC e de João Caldas sobre a razão pela qual os serviços da campanha não foram quitados.
“Eu peço que seja feita justiça. Até hoje, em nenhum momento, eles disseram por que não pagaram”, concluiu.
A Tribuna do Sertão mantém o espaço aberto para que JHC e João Caldas apresentem suas versões sobre as declarações do publicitário e informem se houve pagamento ou bloqueio de valores após a última decisão judicial.