POLÍTICA

Lula critica André Mendonça por uso político de cargo no STF

Presidente cobra justiça e reforma no Judiciário durante entrevista à rádio.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/09/2026 às 17:41
André Mendonça © Foto / José Cruz/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou em entrevista para a Radio Itatiaia que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça está utilizando o cargo na Corte para "fazer política".

"O André Mendonça estava utilizando o cargo dele de relator para fazer política, está provado. Estava fazendo denúncia seletiva, divulgando apenas aquilo que interessava para ele", declarou o presidente.

Ao mesmo tempo, Lula comentou que o ministro do STF Alexandre de Moraes deve "pagar", caso tenha cometido irregularidades envolvendo o contrato milionário do Banco Master com o escritório de advocacia da esposa, Viviane Barci de Moraes. Ele ressaltou que Moraes enfrenta oposição do bolsonarismo por ter "defendido a democracia" durante as eleições de 2022 e no julgamento da tentativa de golpe de Estado.

Segundo Lula, "A briga da família Bolsonaro com o Alexandre de Moraes não é por causa do Banco Master, é pela prisão da família. É por causa do comportamento do Alexandre de Moraes que foi correto em defender a democracia desse País. Se o Alexandre de Moraes cometeu um erro no contrato, é uma decisão da Suprema Corte e ele terá que pagar".

Sobre a crise no Supremo, que gerou divisões e paralisou o tribunal, Lula disse que não acredita que isso seja o único fator determinante para mudar os rumos da eleição presidencial. "Se quiser fazer justiça na votação, tem que colocar todo mundo no mesmo dia. Vamos saber se telefonema é verdade, se (Luiz) Fux está envolvido, se (André) Mendonça está envolvido, se o presidente do TSE (Kassio Nunes Marques) está envolvido", disse Lula, ressaltando que não se pode julgar uma pessoa antes das eleições e o restante depois.

Pela primeira vez, Lula defendeu publicamente a junção das ações que julgam as condutas de Mendonça e Moraes. O STF está dividido sobre o tema, com o julgamento de uma questão de ordem sobre a união, proposta pelo decano Gilmar Mendes, dividindo a Corte em 4x3 a favor de uma separação, além de um pedido de vista do ministro Flávio Dino.

O presidente voltou a defender uma reforma do Judiciário, afirmando que ministros do Supremo não podem querer ser ricos e sugerindo um mandato para os magistrados. "Tem que servir à sociedade e não se servir do cargo", afirmou. Lula indicou também que a Corte precisa ser respeitada pela opinião pública para passar a imagem de "guardiã da população".

Durante a entrevista, Lula ainda declarou que o discurso que fará na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) tratará sobre economia global e o Conselho de Segurança. "Vai ser um bom discurso. Um discurso que fala da economia do mundo, da pouca representatividade do Conselho de Segurança da ONU, das guerras e da falta de lideranças hoje para tomar decisões", declarou.

Lula mencionou também que deseja conversar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após seu discurso, pedindo a ele que não haja interferência americana nas eleições presidenciais brasileiras.

Ainda na entrevista, Lula defendeu que os condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023 cumpram suas penas, mas destacou que a decisão caberá ao STF, após o Congresso Nacional ter derrubado seu veto integral ao PL da Dosimetria. "Eu acho que ninguém pode ser preso eternamente. Em algum momento a Suprema Corte pode tomar decisões e mudar o próprio julgamento que ela já fez. Eu, da minha parte, acho que eles têm que cumprir a pena, porque eles tentaram dar um golpe", finalizou.