POLÍTICA

Prefeito Nunes defende Milton Leite e menciona intervenções na A2 Transportes

Ricardo Nunes destaca a história do ex-presidente da Câmara, que está sendo investigado pela PF.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/09/2026 às 14:52
Prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes Bruno Spada/Câmara dos Deputados

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou na manhã desta quinta-feira, 17, ter "muito respeito pela história" de Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista. O aliado político de Nunes foi alvo de operação da Polícia Federal que apura a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte coletivo de São Paulo.

"Tenho muito respeito pela história, pela trajetória do ex-presidente da Câmara, Milton Leite, vereador por mais de 20 anos, mas obviamente vai competir a ele demonstrar ou não a sua inocência dentro desse processo, que vai ter, por parte da Prefeitura, todo o apoio às investigações", disse o prefeito.

Em nota, Milton Leite disse que vai provar sua inocência em todas as acusações. "Não estou foragido, e vou me apresentar às autoridades em até 24 horas", afirmou.

Apesar do elogio ao ex-presidente da Câmara, que atuou como vereador por mais de duas décadas, o chefe do Executivo paulistano adotou um tom de distância pessoal. Ele destacou que "qualquer pessoa, seja ele pessoa pública, não pública, tem que estar sempre no escrutínio da Justiça" e reforçou que cabe ao próprio Milton Leite demonstrar sua inocência no processo.

Nunes afirmou ainda que a Prefeitura avalia intervir na empresa de ônibus A2 Transportes, após a companhia ser citada na operação da PF. A empresa não é alvo da investigação, mas dois de seus sócios são: Paulo Korek Farias e Júlio Salvador Filho.

"Se não houver o afastamento em 24 horas, esses dois diretores, Paulo e Júlio, a Prefeitura de São Paulo irá fazer a intervenção na A2, por conta dessa questão desses dois diretores da A2 estarem participando da empresa Transleader, que não opera em São Paulo. Mas como tem a participação societária de uma empresa envolvida, a gente preventivamente fará a interdição", disse.

O prefeito ressaltou que a administração municipal tem atuado de forma colaborativa com o Ministério Público e o Judiciário. Ele lembrou que a Prefeitura ingressou como assistente de acusação em investigações correlatas, como a Operação Fim da Linha, e que a Controladoria do município mantém intercâmbio contínuo de informações com promotores.

"A posição da Prefeitura é sempre de todo o apoio às investigações, a qualquer situação que faça com que, se alguém cometeu algum ato delituoso ou criminoso, responda pelo que cometeu", apontou.

Entretanto, defendeu o respeito ao princípio do contraditório e da presunção de inocência, mencionando casos anteriores em que investigados foram posteriormente absolvidos pela Justiça.

"Investigação não quer dizer por si só que seja a pessoa culpada", pontuou.

Operação não afeta funcionamento do sistema de transporte

Paralelamente aos desdobramentos políticos, o prefeito afirmou que a operação da PF não afeta o funcionamento das linhas de ônibus da capital. O município notificou a concessionária A2 para o afastamento em até 24 horas de dois diretores citados no processo, sob pena de intervenção imediata da Prefeitura.

A A2 Transportes atua na zona sul, operando 35 linhas de ônibus em Santo Amaro, Jabaquara e Cidade Ademar, segundo dados da Prefeitura de dezembro de 2025. Em julho deste ano, último mês com dados completos, a empresa transportou 4.879.216 de passageiros.