POLÍTICA

Bruno Barral é alvo da Operação Overclean após passagem pela Educação

Ex-secretário de Educação de Salvador é investigado por supostas fraudes em contratos em Belo Horizonte.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/09/2026 às 11:12
Bruno Barral Reprodução / Instagram

A décima fase da Operação Overclean, deflagrada nesta quinta-feira, 17, colocou em evidência o ex-secretário de Educação Bruno Barral e levou a Polícia Federal a pedir autorização para realizar buscas contra o candidato do União Brasil ao governo da Bahia, ACM Neto. A Procuradoria-Geral da República (PGR) deu parecer favorável à medida, mas o ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou o pedido por considerar que não havia base legal suficiente. O Estadão busca contato com os citados e aguarda posicionamento.

Barral ascendeu profissional e politicamente durante os oito anos da administração de ACM Neto em Salvador. Em dezembro de 2020, quando encerrava o segundo mandato e fazia um balanço da gestão diante da imprensa, o então prefeito homenageou integrantes da equipe e classificou o secretário de Educação como uma das "revelações do nosso time".

A trajetória de Barral na prefeitura começou em uma área relacionada à sua formação. Graduado em Engenharia Elétrica pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), ele assumiu a Diretoria de Serviços de Iluminação Pública e já aparecia em registros oficiais no comando do órgão em junho de 2015. A estrutura era responsável pela manutenção e pela ampliação do parque de iluminação da capital baiana.

Em setembro de 2017, Barral foi promovido por Neto à Secretaria Municipal de Educação, uma das maiores e mais sensíveis pastas da administração, apesar de possuir formação acadêmica e experiência administrativa até então concentradas no setor de energia. Ele permaneceu no cargo até o fim do governo, em dezembro de 2020.

A proximidade com ACM Neto permaneceu publicamente demonstrada após o encerramento da gestão. Em janeiro de 2021, ao homenagear o ex-prefeito pelo aniversário, Barral afirmou ter "grande orgulho" de participar do trabalho realizado em Salvador e o chamou de político "sério e competente".

Depois da derrota de Neto para Jerônimo Rodrigues (PT) na eleição para o governo baiano em 2022, Barral voltou a manifestar lealdade ao aliado. Em uma publicação acompanhada de uma fotografia dos dois, escreveu: "Estaremos sempre juntos, meu amigo. Perco ao seu lado e continuarei aqui".

Em abril de 2024, Barral assumiu a Secretaria de Educação de Belo Horizonte, durante a gestão do então prefeito Fuad Noman. A PF suspeita que ACM Neto tenha participado da indicação do ex-integrante de sua equipe para a capital mineira com o objetivo de selecionar empresários em licitações que posteriormente gerariam retorno por meio de propina.

A biografia institucional publicada posteriormente pela Prefeitura de Belo Horizonte informa que Barral também possui Executive MBA pela Fundação Dom Cabral e extensão universitária pela Universidade da Cantábria, na Espanha. Antes de ingressar na gestão pública, teria atuado com desenvolvimento de redes e estratégias energéticas.

Barral permaneceu no cargo até abril de 2025, quando foi alvo da terceira fase da Operação Overclean e afastado por determinação de Nunes Marques. A prefeitura de Belo Horizonte o exonerou horas depois. Naquela etapa, a investigação apurava a suposta atuação do então secretário em favor de empresas ligadas ao grupo investigado, inclusive durante sua passagem pela Educação de Salvador.

A décima fase da operação concentra-se em contratações realizadas pela Secretaria de Educação de Belo Horizonte entre 2024 e 2025, período que coincide com a gestão de Barral. Ele voltou a ser alvo de busca nesta quinta-feira.

A investigação apura possível direcionamento de procedimentos para o fornecimento de serviços e materiais didáticos. Ao menos três processos resultaram em contratos que, somados, ultrapassam R$ 80 milhões, segundo a PF. Outros procedimentos de contratação também são analisados.

Foram cumpridos 24 mandados de busca e apreensão em Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Tocantins, Paraná e Espírito Santo. Também estão entre os alvos o empresário José Marcos de Moura, conhecido como "rei do lixo", e os empresários Fábio e Alex Parente, ligados a empresas dos setores de construção e limpeza urbana.

A corporação apura, em tese, crimes contra a administração pública, fraudes em licitações e contratos, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Barral não foi condenado pelos fatos investigados.