POLÍTICA

Gilmar Mendes defende Gonet e critica Mendonça por politização

Ministro do STF questiona vazamentos de conversas do procurador-geral e compara a ações da Lava Jato.

Por Estadao Conteudo Publicado em 17/09/2026 às 10:28
Gilmar Mendes Reprodução / Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes levou às redes o embate com o colega de Corte André Mendonça na manhã desta quinta-feira, 17. Em postagem no X, defendeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e afirmou que ele teve a honra injustamente manchada pelo levantamento do sigilo de conversas que nada de ilícito retratavam.

"Em plenário, o próprio relator reconheceu, em alto e bom som, a lisura da conduta de Gonet e admitiu que nada havia contra ele. Nada. Então por que expor?", questionou o decano, afirmando que, ao publicar vídeo nas redes, agradecendo apoio popular, Mendonça teria escancarado a intenção de lucrar politicamente com o episódio.

Gilmar considera que o momento dos vazamentos não foi por acaso. "O levantamento apareceu às vésperas do 7 de Setembro, para inflar as ruas, arrancar dividendos políticos, sujar reputações e intimidar quem se opõe a esse método". "Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral", voltou a acusar.

As críticas nas redes espelham o embate entre Gilmar e Mendonça. Durante a sessão extraordinária do STF da última terça-feira, 15, Gilmar saiu em defesa de Gonet e afirmou que Mendonça age com "sentimento policialesco". "É impressionante que uma pessoa da estatura de Paulo Gonet sofra esse tipo de ilação. Isso sim é leviandade", disse Gilmar, que usou, também dessa vez, o xingamento "pixuleco eleitoral". O comentário deu início a um bate-boca no plenário.

O Estadão revelou em 1º de setembro o teor de conversas mantidas pelo banqueiro Daniel Vorcaro que mencionavam Paulo Gonet. Também foram expostos diálogos por mensagem e telefonemas entre o procurador-geral e o banqueiro. Vorcaro conversou por telefone e trocou mensagens com Gonet em contatos intermediados pelo advogado Ciro Soares, que era emissário nas conversas entre eles.

Nos diálogos, Gonet diz que sente saudades e chama o dono do banco Master de "máquina" após aceitar convite para degustação de uísque em Londres e de pedir que o filho fosse convidado ao evento.

Na sessão de terça-feira, Gonet negou a relação com o banqueiro e disse que a única ligação, intermediada por advogada, foi brevíssima e banal.

O procurador-geral voltou a falar no assunto no dia 16, em uma manifestação perante o Conselho Superior do Ministério Público Federal. Na ocasião, afirmou que jamais negligenciou as investigações sobre fraudes no Master envolvendo Vorcaro e que ninguém lhe pediu para livrar o banqueiro. "Se o sr. Vorcaro imaginou, no seu desespero, que alguém poderia obter a minha adesão para algum comportamento indigno, os fatos mostram que estava enganado."

Em mensagem supostamente enviada ao ministro Alexandre de Moraes, Vorcaro teria apelado a Gonet e ao diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Passos Rodrigues, para colocar freios na Operação Compliance Zero. "Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei?", pediu o banqueiro.

No próximo dia 25, o Conselho se reúne para apreciar o caso. De um lado, os conselheiros poderão concluir pela existência de indícios de crime e designarem um subprocurador-geral da República para investigar Gonet. De outro lado, poderão concluir que não existem evidências de crime comum e promover o arquivamento do feito.

Gilmar compara atuação de Mendonça à Lava Jato

Em sua postagem nesta quinta-feira, o decano do STF compara os vazamentos do caso Master com atuações do ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), então procurador da operação e hoje candidato ao Senado pelo Paraná; e do senador Sérgio Moro (PL), juiz da Lava Jato e candidato ao governo do Paraná.

"Na Lava Jato, Deltan Dallagnol e Sergio Moro transformaram vazamento seletivo em método. A ideia era sempre criar o fato consumado antes da ação penal, colher os dividendos políticos e deixar a defesa correndo atrás de um julgamento que a opinião pública já havia feito", alegou o decano do STF. Não é a primeira vez que Gilmar se manifesta contra a operação, à qual foi favorável no início.