Ênio Lins reage a processos contra jornalistas e diz que Alagoas vive tentativa de “silenciamento”
Jornalista, ex-secretário de Cultura e Comunicação e integrante de candidatura coletiva a deputado federal pelo PCdoB critica ofensiva judicial contra profissionais que investigam o caso Banco Master
O jornalista Ênio Lins, ex-secretário de Estado da Cultura e da Comunicação de Alagoas e atualmente integrante de uma candidatura coletiva a deputado federal pelo PCdoB, publicou um vídeo nas redes sociais em que faz um duro alerta sobre o que considera uma tentativa de cerceamento da liberdade de imprensa em Alagoas, especialmente contra profissionais que vêm abordando o escândalo envolvendo o Banco Master.
Na gravação, Ênio afirma que, paralelamente às investigações relacionadas ao banco, seria necessário prestar atenção ao que classificou como uma ofensiva contra o jornalismo investigativo.
“Seguindo o fio da meada do escândalo do Banco Master, é hora de prestarmos atenção também numa tentativa antidemocrática de restabelecer a censura à imprensa”, declarou.
Segundo o jornalista, grupos identificados por ele como ligados ao bolsonarismo estariam recorrendo a ações judiciais numa tentativa de constranger, punir ou impedir a divulgação de informações sobre o caso.
“Os grupos bolsonaristas no Brasil todo, em Alagoas particularmente, tentam estabelecer a censura prévia, procurando punir, através de brechas na lei, quem ousa fazer o jornalismo investigativo em Alagoas acerca do Banco Master”, afirmou.
Ênio fala em 183 ações contra jornalistas
Um dos pontos de maior impacto da manifestação é o número apresentado por Ênio Lins.
Segundo ele, até a semana passada poderiam ser contabilizadas pelo menos 183 ações judiciais contra jornalistas, situação que, em sua avaliação, demonstra uma estratégia de intimidação e silenciamento da imprensa.
“Até a semana passada, pelo menos, podem ser contabilizadas 183 ações na Justiça contra jornalistas para tentar calar a imprensa”, afirmou.
O número é citado pelo próprio Ênio na postagem. No vídeo, ele não apresenta uma relação individualizada dos processos nem detalha autores, objetos ou fases de tramitação de cada uma das ações mencionadas.
Solidariedade a profissionais atingidos
Durante a gravação, Ênio Lins também manifesta solidariedade a jornalistas, comunicadores e pessoas que, segundo ele, foram atingidos por processos relacionados à divulgação ou discussão de fatos de interesse público.
Ele menciona nominalmente Blaine Oliveira, João Mouzinho, Vladimir Barros e o historiador Geraldo de Magela.
“Eu quero aqui prestar minha solidariedade em nome de todas as pessoas processadas”, declarou.
Na avaliação do jornalista, essas pessoas tornaram-se vítimas de uma tentativa de “silenciamento” por meio de sucessivas demandas judiciais.
A declaração ocorre num momento em que decisões envolvendo matérias jornalísticas, vídeos e postagens sobre o caso IPREV-Banco Master provocam forte debate em Alagoas sobre liberdade de expressão, direito à informação e os limites da atuação da Justiça Eleitoral diante de conteúdos jornalísticos.
“A volta à censura não pode ser tolerada”
No encerramento do vídeo, Ênio Lins faz uma defesa enfática da liberdade de imprensa e atribui responsabilidade política aos grupos que critica.
“A volta à censura, que é defendida pelo bolsonarismo, não pode ser tolerada”, afirmou.
A manifestação coloca o ex-secretário entre as vozes que vêm tratando a multiplicação de processos contra jornalistas não apenas como conflitos individuais, mas como uma questão de interesse público relacionada ao direito da sociedade de receber informações, principalmente quando estão em discussão atos de agentes públicos e a utilização de recursos públicos.
Candidatura coletiva pelo PCdoB
Além de sua trajetória como jornalista e ex-secretário estadual, Ênio Lins participa das eleições de 2026 integrando uma candidatura coletiva a deputado federal pelo PCdoB.
A condição política dá também caráter eleitoral à manifestação divulgada nas redes sociais. No vídeo, entretanto, o foco está na defesa da atividade jornalística e na crítica ao que considera uma tentativa de utilização do Judiciário para intimidar profissionais da comunicação.
A defesa da liberdade de imprensa passa, assim, a integrar também o discurso político de Ênio durante a campanha.
Caso Master amplia discussão sobre liberdade de imprensa
As declarações de Ênio surgem no momento em que as investigações relacionadas ao Banco Master ganharam nova dimensão pública em Alagoas, sobretudo em razão das aplicações milionárias realizadas pelo IPREV de Maceió.
Documentos provenientes de investigações, manifestações do Ministério Público Federal e procedimentos da Polícia Federal vêm alimentando sucessivas reportagens e debates públicos.
Ao mesmo tempo, jornalistas e veículos que tratam do assunto passaram a enfrentar ações judiciais, pedidos de direito de resposta, determinações para retirada de conteúdos e outras medidas.
Para Ênio Lins, é justamente essa combinação entre o aumento das revelações jornalísticas e a multiplicação de processos que exige atenção.
Em sua postagem, o jornalista e integrante da candidatura coletiva do PCdoB à Câmara dos Deputados procura colocar a defesa da liberdade de imprensa no centro do debate político provocado pelo escândalo do Banco Master em Alagoas.