Dentro dos amarelinhos no RJ, candidatura de Caiado cresce com discurso de segurança pública
Violência domina as conversas com taxistas e fortalece o nome do candidato do PSD
A 19 dias do primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, a disputa presidencial também se manifesta longe dos palanques, dos programas eleitorais e dos discursos preparados pelas campanhas. Nas ruas do Rio de Janeiro, dentro dos tradicionais táxis da cidade, a segurança pública aparece como a principal preocupação dos motoristas e abre espaço para o crescimento do nome de Ronaldo Caiado, candidato do PSD à Presidência da República.
Passei uma semana na minha terra, o Rio de Janeiro e, durante esse período, preferi utilizar os táxis tradicionais em meus deslocamentos pela capital carioca. Foi uma escolha motivada, principalmente, pela sensação de segurança transmitida pelo motorista cadastrado e pelo veículo facilmente identificado nas ruas.
Diferentemente dos carros de aplicativo, que geralmente não possuem uma identificação externa tão visível, os táxis do Rio são reconhecidos imediatamente pela tradicional cor amarela.
Os táxis cariocas nem sempre tiveram essa cor. A padronização ocorreu entre o fim da década de 1970 e o início dos anos 1980, inspirada nos tradicionais Yellow Cabs norte-americano. O objetivo era facilitar a identificação dos veículos pelos passageiros, permitindo que fossem reconhecidos à distância.
Com o passar dos anos, os “amarelinhos” deixaram de ser apenas um meio de transporte e se transformaram em parte da identidade visual e cultural do Rio de Janeiro. Em 2017, foram reconhecidos pela Prefeitura como patrimônio cultural da cidade.
Além da segurança e da facilidade de identificação, existe outra característica que mantém viva a tradição dos táxis cariocas: a conversa. O taxista do Rio é quase sempre bem informado, bom de papo e conhecedor do cotidiano da cidade. Circula por diferentes bairros, conversa com passageiros de todas as classes sociais e acompanha de perto os problemas que afetam a população.
Como jornalista político, não deixei de aproveitar os trajetos para perguntar sobre as eleições que se aproximam. Ao todo, conversei com algo entre 10 e 12 taxistas. Não fiz uma contagem formal, porque os diálogos surgiram espontaneamente durante as corridas.
A percepção, portanto, não tem qualquer pretensão científica nem substitui uma pesquisa eleitoral. Trata-se de um retrato informal das ruas, construído a partir das conversas com profissionais que percorrem diariamente diferentes regiões da cidade e sentem, na prática, as mudanças de humor da população.
Ainda assim, o resultado chamou a atenção. A ampla maioria dos motoristas ouvidos colocou a violência e a insegurança no centro das preocupações.
Assaltos, roubos de veículos, domínio territorial de organizações criminosas e o medo presente na rotina das famílias apareceram repetidamente nos relatos. Os taxistas buscam uma resposta para um problema que consideram cada vez mais grave e procuram um nome capaz de representar politicamente a esperança de mudança.
Em alguns momentos, a conversa naturalmente se desviava para outra paixão inevitável dos cariocas: o Flamengo. Mas, quando o assunto retornava às eleições, a segurança pública voltava imediatamente ao centro do debate.
Foi nesse ambiente que o nome de Ronaldo Caiado apareceu com uma frequência surpreendente.
Candidato do PSD à Presidência da República, Caiado colocou a segurança pública entre as principais bandeiras de sua campanha e procura apresentar nacionalmente o modelo adotado durante sua gestão no Governo de Goiás.
Entre os taxistas com quem conversei, esse discurso encontrou receptividade. Eles enxergam em Caiado um político com uma linguagem mais firme e direta sobre o enfrentamento à criminalidade e demonstram interesse pelo histórico de sua administração na área da segurança pública em Goiás.
O dado mais curioso é que vários desses motoristas acreditam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vencerá a eleição, mas afirmam que estão inclinados a votar em Ronaldo Caiado. Existe, portanto, uma diferença entre a expectativa sobre quem deverá vencer e a preferência pessoal que começa a se formar dentro dos táxis.
Já o nome de Flávio Bolsonaro não foi tratado com o mesmo entusiasmo pelos motoristas ouvidos. Entre esses interlocutores, sua candidatura não parecia despertar confiança suficiente para representar uma solução para o grave problema da segurança pública no Rio de Janeiro.
Historicamente, o taxista funciona como uma espécie de termômetro eleitoral. Ele conversa diariamente com pessoas de diferentes origens, classes sociais e posições políticas. Circula por todas as regiões da cidade, escuta reclamações, acompanha mudanças de comportamento e percebe rapidamente quais assuntos começam a dominar as conversas.
Evidentemente, não se trata de uma pesquisa eleitoral, mas de uma observação privilegiada das ruas.
O termômetro encontrado nos tradicionais amarelinhos do Rio indica que o eleitor carioca procura alguém capaz de apresentar uma resposta convincente para a violência. Nesse quesito, Ronaldo Caiado começa a conquistar atenção e simpatia.
Faltando apenas 19 dias para a votação, o candidato do PSD ainda enfrenta o desafio de transformar o reconhecimento de sua atuação em Goiás em votos por todo o país. Mas, pelo menos entre os taxistas com quem conversei na capital carioca, seu discurso sobre segurança pública já rompeu a barreira do desconhecimento e passou a ser considerado uma alternativa.
Nas ruas do Rio, onde a violência interfere diretamente na rotina de quem trabalha, circula e sustenta uma família, segurança pública não é apenas uma promessa de campanha. É uma urgência.
E, dentro dos tradicionais amarelinhos, Ronaldo Caiado parece ter encontrado justamente nessa preocupação uma oportunidade para crescer.