Defesa de produtora de Dark Horse vê decisão de Dino como positiva
Ministro do STF levantou sigilo da investigação sobre irregularidades em emendas parlamentares
A defesa de Karina Gama, dona da Go Up, produtora do filme Dark Horse, afirmou neste domingo, 13, que considera positiva a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de levantar o sigilo da investigação sobre irregularidades no uso de emendas parlamentares para a produção da cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
O advogado Ricardo Sayeg, em nota à imprensa, declarou: "A defesa da Sra. Karina Gama recebe com absoluto respeito e considera positiva a decisão do Ministro Flávio Dino de levantar o sigilo sobre os elementos da investigação conduzida pela Polícia Civil do Estado de São Paulo envolvendo o Instituto Conhecer Brasil e contrato celebrado com a Prefeitura de São Paulo. A transparência interessa à Justiça, à sociedade e, sobretudo, à própria defesa".
A defesa ressaltou ainda que "quem já apresentou voluntariamente mais de 20 mil páginas de documentação não teme transparência" e destacou que a produtora nega ter cometido atos ilícitos.
Segundo a nota, "a defesa confia que a plena exposição dos fatos demonstrará que a Sra. Karina Gama não pode ser transformada em culpada pela intensa efervescência da vida nacional, em um momento de extraordinária agitação e movimentação política. Investigar é legítimo. Esclarecer é do interesse de todos. Mas investigação não é acusação, muito menos, condenação e a repercussão política jamais poderá substituir o devido processo legal".
Por fim, Sayeg afirmou que Karina "continuará colaborando com as autoridades competentes e exercendo, com serenidade, seu direito constitucional de defesa, convicta de que a verdade dos fatos prevalecerá".
Na decisão, Dino retirou o sigilo da investigação sobre Dark Horse enviada pela Justiça de São Paulo ao Supremo. Com a medida, foram tornados públicos documentos, dados e outros elementos apreendidos pela Polícia Civil paulista em uma apuração que envolve a produtora do longa sobre Bolsonaro e suspeitas de desvio de recursos públicos, inclusive de emendas parlamentares.
O ministro determinou que todo o material recebido da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens de São Paulo passe a tramitar publicamente no STF. Também ordenou que celulares, computadores, documentos e o conteúdo bruto extraído dos aparelhos apreendidos pela Polícia Civil sejam entregues à Polícia Federal.