POLÍTICA

Lula destaca importância de concluir obras para evitar paralisações

Presidente enfatiza necessidade de liberação rápida de recursos e critica “denuncismo” que atrapalha o andamento de projetos.

Por Estadao Conteudo Publicado em 11/09/2026 às 17:15
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva © telegram SputnikBrasil

O presidente da República e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), afirmou ser um "eterno cobrador" e que é preciso concluir as obras iniciadas durante a própria gestão para evitar que sejam interrompidas pelos sucessores. Durante uma reunião sobre o Fundo de Apoio à Infraestrutura para Recuperação e Adaptação a Eventos Climáticos Extremos, em Canoas (RS), ele ressaltou que existem receios entre os servidores públicos sobre assinar a liberação de obras e recursos devido ao "denuncismo".

"Se a gente pega uma obra dessa e não termina, qualquer um que entrar pode parar. É a coisa mais rotineira no Brasil um presidente, governador e prefeito parar a obra do seu antecessor", declarou o presidente.

Lula também criticou a falta de dinheiro, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Caixa Econômica Federal e as denúncias relacionadas às obras. "Uma vez falta dinheiro, outra é o TCU, outra é uma denúncia qualquer, outra é a Caixa exigindo coisa que não precisava. Para um cara assinar um projeto hoje na máquina pública, é muito complicado. Todo mundo tem medo com o denuncismo que tem. Para assinar, tem que quase ser benzido", afirmou.

Na reunião, o presidente mencionou que o governo criou um "padrão gaúcho" sobre como o governo federal lida com desastres naturais, a partir dos repasses ao Rio Grande do Sul após as enchentes de 2024.

Na sexta-feira, dia 11, Lula demonstrou irritação ao cobrar sua equipe sobre a demora na liberação de recursos ao Estado para a recuperação das fortes chuvas que afetaram a região. Ele comentou: "Não podemos querer que o povo entenda" o motivo da demora na liberação dos recursos.

"Como você anuncia que vai colocar R$ 6,5 bilhões para atender de forma mais rápida os problemas causados por aquela chuva e, dois anos depois, só estamos liberando R$ 1,5 bilhão. Quero saber se a culpa é da Caixa, se é nossa, do Ministério das Cidades, do governo do Estado, do prefeito...", destacou o presidente.

O presidente expressou sua inquietação com a situação e ressaltou que não é a primeira vez que se depara com esse problema. "Chego em cidade em que a gente depositou R$ 2 bilhões ou R$ 3 bilhões para fazer determinada obra e, depois de três anos, não aconteceu nada", comentou, lembrando das desculpas que surgem quando as obras não são realizadas.

A irritação em relação à demora na liberação de recursos ocorre em um período de queda na popularidade do presidente, com pesquisas de intenção de voto mostrando um cenário cada vez mais acirrado entre ele e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que aparece à frente em simulações de segundo turno em alguns levantamentos.