SANGUESSUGA

JHC aciona a Justiça para esconder condenação do pai por desvios na saúde

Em ação na Justiça Eleitoral, JHC tenta barrar menção ao pai, João Caldas, condenado por participação na Máfia das Sanguessugas

Publicado em 11/09/2026 às 13:44
JHC tenta esconder condenação do pai João Caldas

O candidato ao governo de Alagoas João Henrique Caldas (PSDB) acionou a Justiça Eleitoral para tentar esconder a condenação que encerrou a carreira política do pai, João Caldas, no inquérito da Operação Taturana, que investigou desvios milionários de recursos públicos para compra de ambulâncias.

Na ação, JHC questiona uma publicação feita pelo adversário na disputa eleitoral, Renan Filho (MDB), mostrando um trecho do debate realizado pela TV Gazeta na quinta-feira (10). A postagem destacou uma das respostas de Renan Filho, na qual lembrou os mandatos anteriores de JHC, da mãe, Eudócia Caldas, e do pai, mostrando a capa de uma reportagem que informava sobre a condenação de João Caldas à devolução de recursos públicos e perda de direitos políticos.

“Olha que você já foi deputado estadual, deputado federal, prefeito, sua mãe é senadora, seu pai [João Caldas] foi várias vezes deputado e nunca fizeram nada pelas pessoas. Você fica enrolando e resta a você contar os segundos esperando pra acabar minha resposta”, disse Renan Filho, no trecho do debate reproduzido na publicação.

Além de recorrer judicialmente para impedir que os desvios de recursos praticados pelo pai sejam vinculados a ele, João Henrique Caldas também adotou a abreviação do nome para dificultar a associação com o ex-deputado condenado por participação na Máfia das Sanguessugas.

João Caldas, pai de JHC, foi condenado no inquérito da Máfia das Sanguessugas em 2018, pela 7ª Vara da Justiça Federal da Cuiabá (MT). A sentença foi de dois anos e nove meses de prisão em regime aberto, posteriormente convertida em penas restritivas e medidas cautelares. Antes disso, em 2014, João Caldas já havia sido condenado pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5), em Recife, por ato de improbidade administrativa decorrente da mesma investigação.

A investigação mostrou que durante o mandato de deputado federal, João Caldas apresentou emendas parlamentares em troca de propina em licitações fraudadas pela empresa Planam. O dinheiro do esquema foi depositado diretamente na conta de João Caldas em 2002.

Com a ajuda de aliados que exerciam influência na época e com a cobrança de inúmeros favores políticos em Brasília, João Caldas acabou se livrando das acusações. A condenação, no entanto, custou a carreira política de João Caldas. Impedido de se candidatar a cargos públicos pela Lei da Ficha Limpa, o ex-deputado passou a apostar suas fichas no filho, o ex-prefeito de Maceió JHC. A “sanguessuga” familiar, no entanto, ainda assombra o candidato ao governo.