CRISE NO STF

Joice Hasselmann diz que Mendonça virou “cabo eleitoral” de Flávio Bolsonaro dentro do STF

Em vídeo, jornalista afirma que Fachin colocou “ordem no parquinho” ao manter Andrei Rodrigues no comando da Polícia Federal e cobra o fim do sigilo no caso Banco Master

Por Redação Publicado em 09/09/2026 às 20:33
Joice Hasselmann

A jornalista e ex-deputada federal Joice Hasselmann publicou um vídeo com duras críticas ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a disputa entre integrantes da Corte em torno do comando da Polícia Federal.

Na avaliação de Joice, o presidente do Supremo, Edson Fachin, precisou intervir para colocar “ordem no parquinho” depois de decisões conflitantes de Mendonça e Flávio Dino sobre o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.

Fachin suspendeu as decisões dos dois ministros e preservou, neste momento, Andrei no comando da instituição. O presidente da Corte considerou que o conflito provocava risco à ordem pública e institucional. Também acolheu a argumentação de que a nomeação e a exoneração do diretor-geral da Polícia Federal pertencem ao presidente da República. STF, Reuters.

“Até que enfim Fachin colocou ordem no parquinho, no STF”, declarou Joice.

“Mendonça errou e errou feio”


A crise começou quando André Mendonça determinou o afastamento de Andrei Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. A medida foi tomada em meio às disputas internas provocadas pelas investigações relacionadas ao Banco Master.

Posteriormente, Flávio Dino suspendeu a ordem de Mendonça e determinou o retorno dos dirigentes às funções. Fachin, então, interveio e suspendeu as decisões conflitantes, centralizando a análise da controvérsia na Presidência do STF.

Para Joice, Mendonça ultrapassou os limites de sua competência ao interferir diretamente no comando da Polícia Federal.

“Mendonça errou e errou feio”, afirmou.

A jornalista disse que não cabe a um ministro do Supremo decidir unilateralmente quem permanece ou deixa a direção-geral da PF. Segundo ela, essa é uma atribuição exclusiva do presidente da República.

Joice também criticou a atuação de Flávio Dino. Na interpretação apresentada no vídeo, Dino sabia que ingressava em uma área institucionalmente delicada, mas teria tomado a decisão para provocar uma intervenção do presidente do Supremo.

A declaração é uma avaliação política de Joice e não uma conclusão formal estabelecida pelo STF.

Crítica parte de uma adversária de Lula


No vídeo, Joice fez questão de ressaltar que sua posição não representa apoio político ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

“Você gosta do Lula? Não, não gosto”, declarou, simulando uma pergunta feita por seus seguidores.

Segundo a jornalista, sua oposição a Lula não lhe permite ignorar as regras constitucionais sobre o comando da Polícia Federal. Para ela, reconhecer a prerrogativa presidencial não significa apoiar politicamente o ocupante do Palácio do Planalto, mas defender a divisão institucional de competências.

Esse trecho reforça o peso político da manifestação. Joice, que construiu parte de sua trajetória pública em oposição ao PT e aos governos de Lula, posicionou-se contra uma decisão tomada por André Mendonça, ministro indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

Joice cobra abertura do caso Banco Master


As críticas mais fortes foram dirigidas à atuação de Mendonça nos procedimentos relacionados ao Banco Master. Joice questionou a manutenção do sigilo e pediu a divulgação integral das informações.

A ex-deputada acusou o ministro de agir seletivamente ao levantar apenas parte do segredo que envolve o caso. Segundo ela, todos os elementos deveriam ser tornados públicos para que a sociedade conheça as pessoas e os grupos eventualmente envolvidos nas irregularidades investigadas.

“Por que o sigilo de Mendonça é seletivo?”, questionou.

Joice também mencionou Flávio Bolsonaro e cobrou a divulgação de informações que, segundo ela, poderiam mostrar eventuais vínculos do candidato com fatos investigados no escândalo.

As afirmações sobre supostas irregularidades de Flávio Bolsonaro representam acusações feitas pela jornalista. No vídeo, Joice não apresentou documentos capazes de comprovar que o senador tenha praticado ilegalidades no caso.

“Está fazendo campanha para Flávio”


No ponto mais contundente da manifestação, Joice acusou André Mendonça de utilizar sua atuação no Supremo para favorecer eleitoralmente Flávio Bolsonaro.

“Está fazendo pura campanha para Flávio”, declarou.

Ela classificou como “lamentável” a atuação do ministro e afirmou que Mendonça estaria se transformando em um “grande cabo eleitoral dentro do STF”.

A acusação é grave, pois atribui motivação político-eleitoral a decisões de um integrante da mais alta Corte do país. Joice, entretanto, apresentou a conclusão como sua avaliação política e não indicou, no vídeo, provas diretas de que Mendonça tenha combinado decisões ou estratégias com a campanha de Flávio Bolsonaro.

Crise expõe racha no Supremo


O confronto entre Mendonça e Dino, seguido da intervenção de Fachin, tornou pública uma disputa de grandes proporções dentro do Supremo.

Mendonça afastou a cúpula da Polícia Federal; Dino derrubou a ordem e reintegrou os dirigentes; Fachin suspendeu as duas decisões para assumir o controle institucional do impasse. A controvérsia ocorre em meio a investigações sensíveis, particularmente as relacionadas ao Banco Master.

Ao suspender as decisões dos dois colegas, Fachin afirmou existir um quadro grave e convocou providências para reorganizar a condução dos processos. A permanência de Andrei Rodrigues foi preservada enquanto o presidente do STF aprofunda a análise do caso. Folha de S.Paulo.

Para Joice Hasselmann, a intervenção representou uma tentativa de restabelecer a ordem e impedir que decisões individuais de ministros substituam uma prerrogativa constitucional do chefe do Executivo.

A jornalista concluiu o vídeo afirmando que a atuação atribuída a Mendonça compromete a reputação de quem se apresenta publicamente como defensor da honestidade e dos valores religiosos.

“Isso é uma vergonha”, finalizou.