Marina de JHC deixa Ronaldo Lessa sem resposta após ex-governador renunciar à segunda suplência
Vice-governador afirma que acordo era ocupar primeira suplência, mas acabou registrado como segundo; mesmo após renúncia aparecer oficialmente no TSE, candidata não explicou como ficará a chapa
O silêncio de Marina Cândia (PSDB) após a renúncia de Ronaldo Lessa (PDT) à segunda suplência de sua candidatura ao Senado aumenta o constrangimento político envolvendo um dos nomes de maior trajetória da política alagoana.
Neste sábado (5), a situação de Lessa já aparece no DivulgaCandContas, sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), como “inapta” em razão de renúncia, oficializando sua retirada da segunda suplência.
Mesmo assim, até o momento, Marina não apresentou publicamente uma explicação sobre a saída do vice-governador nem anunciou a recomposição da chapa.
A ausência de uma manifestação ganha ainda mais peso diante da versão apresentada pelo próprio Ronaldo Lessa.
Em declaração ao jornalista Flávio Gomes de Barros, Lessa revelou que havia acertado ocupar a primeira suplência de Marina, depois de abrir mão da possibilidade de disputar novamente a vice-governadoria. Quando a documentação da chapa chegou à Justiça Eleitoral, porém, seu nome apareceu como segundo suplente, atrás da senadora Eudócia Caldas (PSDB), mãe de JHC.
“Quando eu abri mão da minha candidatura a vice-governador na chapa de JHC, ficou acertado que eu seria o primeiro suplente da Marina”, declarou Lessa ao jornalista. Segundo ele, a expectativa era de que a coligação promovesse a retificação para colocá-lo na posição anteriormente combinada.
Da vice à segunda suplência
A situação é especialmente delicada pela dimensão política de Ronaldo Lessa.
Ex-governador por dois mandatos, ex-prefeito de Maceió, ex-deputado federal e atual vice-governador, Lessa deixou o grupo político do governador Paulo Dantas e dos Calheiros para se aproximar de JHC.
Inicialmente, seu nome chegou a ser apresentado como possível candidato a vice-governador na chapa de JHC.
Isso não aconteceu.
Segundo o próprio Lessa, ele deixou a composição como vice em razão das exigências partidárias feitas para a formação da coligação e ampliação do tempo de propaganda eleitoral. Em contrapartida, afirma que ficou acertado que ocuparia a primeira suplência de Marina.
Também não aconteceu.
No registro eleitoral, a primeira suplência ficou com Eudócia Caldas e Ronaldo foi colocado na segunda.
Agora, nem essa posição existe mais: Lessa formalizou a renúncia e já consta como inapto no sistema eleitoral.
Duas frustrações dentro do mesmo grupo
Politicamente, a sequência deixa Lessa diante de duas grandes frustrações desde que decidiu caminhar com o grupo de JHC.
Primeiro, não ocupou a vice na chapa para o Governo.
Depois, apesar de afirmar que havia recebido o compromisso de ocupar a primeira suplência de Marina, apareceu oficialmente registrado como segundo suplente. A insatisfação com essa composição já vinha sendo relatada nos bastidores políticos.
A primeira suplência foi destinada justamente à mãe de JHC.
Para um político que já governou Alagoas por oito anos e hoje ocupa a vice-governadoria do Estado, a posição de segundo suplente já havia causado surpresa desde o registro das candidaturas.
A renúncia tornou público o desconforto.
E Marina?
É nesse ponto que o silêncio da candidata chama atenção.
Ronaldo Lessa não é um integrante desconhecido da coligação. Trata-se de um ex-governador e atual vice-governador que emprestou seu nome, sua trajetória e seu grupo político à composição liderada por JHC e Marina.
Ao renunciar, pediu expressamente à Justiça Eleitoral que a coligação fosse notificada para providenciar sua substituição. Na carta, justificou a decisão por um “remanejamento da chapa majoritária de senador pela Coligação”.
Seria natural, portanto, que a candidata titular viesse a público esclarecer o que aconteceu e, sobretudo, qual será o destino de Lessa na composição.
Até agora, isso não ocorreu.
Não houve anúncio público de Marina sobre a substituição. Não houve explicação sobre o acordo relatado por Lessa. E não houve esclarecimento sobre se o compromisso de colocá-lo como primeiro suplente será finalmente cumprido.
Lessa cumpriu sua parte. Falta o outro lado
Há ainda uma informação que aumenta a pressão sobre o grupo.
Segundo informações de bastidores publicadas nesta semana, teria sido combinado que Ronaldo Lessa e Eudócia Caldas renunciariam às respectivas posições para permitir uma inversão: Lessa passaria à primeira suplência e Eudócia à segunda.
Ronaldo já fez seu movimento.
Eudócia, até agora, permanece na primeira suplência.
Marina permanece em silêncio.
Assim, o episódio que poderia ser tratado simplesmente como um “remanejamento” interno passou a expor uma questão política maior: o grupo de JHC cumprirá o compromisso que Ronaldo Lessa afirma ter recebido?
Depois de abrir mão da possibilidade de ser vice, aceitar integrar a chapa ao Senado e terminar registrado numa posição inferior à que diz ter sido combinada, Lessa já tomou a providência que lhe cabia para permitir a mudança.
Agora, a resposta não depende mais dele.
Depende da chapa de Marina Cândia e do grupo político de JHC.