INDIGNAÇÃO

Jornalista reage após ser associado a “milícia digital” em sessão do TRE: “Apresente a prova”

Wadson Corrêa contesta declaração feita durante julgamento eleitoral, exige retratação pública e anuncia que levará o caso à OAB para análise das declarações e de eventual litigância predatória contra jornalistas

Por Redação Publicado em 04/09/2026 às 08:53

O jornalista Wadson Corrêa reagiu publicamente após ter seu nome associado à expressão “milícia digital” durante uma sessão do Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Em vídeo publicado nas redes sociais, Corrêa classificou a declaração como grave, cobrou a apresentação de provas e anunciou que pretende provocar o Conselho Nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para que analise o episódio.

A manifestação foi dirigida ao advogado que, segundo o jornalista, fez a associação durante pronunciamento no âmbito de uma discussão judicial envolvendo publicações de Corrêa e o candidato JHC.

“Qual é a prova de que Wadson Corrêa integra uma milícia digital? Apresente. O Brasil quer conhecer”, desafiou o jornalista.

Corrêa sustentou que a expressão não pode ser confundida com o exercício do jornalismo crítico. Segundo ele, o termo remete à atuação organizada e coordenada no ambiente digital para promover ataques, intimidação, perseguição ou desinformação — características que afirma não estarem presentes em sua atividade profissional.

“Fiscalizar o poder público não é milícia digital. Cobrar transparência não é perseguição. Questionar propaganda política não é crime. Isso se chama liberdade de imprensa”, declarou.

Caso do Hospital da Cidade

Parte da controvérsia está relacionada às publicações feitas pelo jornalista sobre a morte de uma criança na recepção do Hospital da Cidade, em Maceió.

No pronunciamento, Corrêa afirmou que jamais atribuiu a JHC responsabilidade pessoal pela morte da criança. Segundo ele, suas reportagens questionaram as circunstâncias do atendimento e cobraram informações sobre o episódio, além de confrontarem a imagem de excelência atribuída publicamente à unidade de saúde com o caso enfrentado pela família.

“Eu jamais atribuí a JHC responsabilidade pessoal pela morte da criança”, afirmou.

O jornalista argumentou que questionar o funcionamento de uma unidade pública e cobrar explicações diante de um episódio grave fazem parte das atribuições da imprensa.

“Existe uma pergunta que nenhum processo contra jornalista poderá apagar: como uma criança morreu na recepção dessa unidade? A sociedade tem o direito de perguntar. A família tem o direito de obter respostas. E a imprensa tem o direito de investigar”, declarou.

Jornalista cobra retratação

Wadson Corrêa também afirmou considerar que a associação de seu nome a uma “milícia digital” ultrapassou os limites de uma divergência sobre o conteúdo de suas reportagens e atingiu sua reputação profissional.

Por isso, cobrou publicamente uma retratação.

“Se existe uma reportagem minha falsa, mostre. Se existe uma informação que inventei, apresente. Se existe uma prova de que integro uma milícia digital, apresente publicamente”, afirmou.

Corrêa disse ainda que pretende levar o episódio à OAB em Alagoas para que a entidade examine as declarações feitas contra ele e avalie eventual incompatibilidade com os deveres éticos da advocacia.

O jornalista ressaltou, entretanto, que reconhece as prerrogativas profissionais dos advogados e o direito de defesa de seus clientes.

“Um advogado pode e deve defender seu cliente com firmeza. Está correto. Mas a prerrogativa profissional não significa salvo-conduto para atingir a honra de terceiros”, declarou.

Processos contra jornalistas entram no debate

Corrêa ampliou sua manifestação para discutir a quantidade de processos judiciais ajuizados contra profissionais da imprensa em Alagoas. Ele defendeu que a OAB analise se há eventual padrão de litigância predatória ou utilização abusiva do direito de ação como forma de pressão sobre jornalistas.

O próprio jornalista ponderou que não cabe a ele antecipar qualquer conclusão sobre a existência dessa prática, defendendo que a questão seja examinada pelos órgãos competentes.

Para Corrêa, uma sucessão de processos com pedidos de indenização, retirada de conteúdo e outras medidas judiciais pode provocar não apenas custos financeiros, mas também desgaste psicológico e efeito intimidatório sobre profissionais da imprensa.

Ao encerrar o pronunciamento, Wadson Corrêa afirmou que continuará exercendo sua atividade jornalística e cobrando respostas de agentes públicos e candidatos.

“Não me intimido com processo. Não me intimido com pressão. E não vou deixar de exercer jornalismo porque alguém não gosta das perguntas que faço”, disse.

E concluiu:

“Meu nome é Wadson Corrêa, sou jornalista e não faço parte de milícia digital. E continuarei aqui fazendo jornalismo.”