POLÍTICA

Repercussão política após Moraes solicitar investigação contra Mendonça

Parlamentares defendem Mendonça e criticam postura de Moraes no STF

Por Estadao Conteudo Publicado em 04/09/2026 às 07:42
André Mendonça © Foto / Nelson Jr./SCO/STF

O pedido do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por providências contra André Mendonça provocou reações de parlamentares da oposição e da base governista nesta quinta-feira, 3.

Rogério Marinho (PL), Sóstenes Cavalcante (PL), Eduardo Girão (NOVO) e Carlos Viana (PSD) se manifestaram em defesa de Mendonça, criticando a atuação de Moraes.

Do lado governista, as críticas se concentraram nas relações do Banco Master com aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), sem mencionar diretamente a iniciativa de Moraes contra o colega de Corte.

Moraes utilizou o inquérito das Fake News para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade. O relator do caso Banco Master, Mendonça, levantou na terça-feira, 1º, o sigilo de um relatório da Polícia Federal que compilava 51 mensagens entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, após o conteúdo ser revelado pelo Estadão.

Oposição acusa Moraes de uso indevido do inquérito

O senador Rogério Marinho, coordenador da campanha do candidato a presidente da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, afirmou que Moraes voltou a transformar o Inquérito 4.781, aberto há sete anos, em "instrumento de poder pessoal".

"É uma inversão intolerável de valores: quem deveria prestar esclarecimentos às instituições e ao povo brasileiro utiliza poderes investigativos excepcionais sob seu comando para constranger quem supervisiona uma investigação séria", declarou Marinho em nota.

Ele também acusou Moraes de usar o Inquérito das Fake News como "escudo e instrumento de intimidação".

O deputado Sóstenes Cavalcante manifestou apoio a Mendonça, enfatizando: "Eu apoio André Mendonça. Eu não apoio criminoso". Cavalcante acredita que há uma tentativa de encerrar uma "investigação séria e imparcial" sobre o Banco Master, dada a presença de "muita gente poderosa" envolvida.

O senador Eduardo Girão classificou a atitude de Moraes como o "grau máximo de falta de noção da realidade".

Por sua vez, Carlos Viana comentou que já acionou o ministro Edson Fachin sobre a conduta de Moraes em relação a Mendonça, solicitando a preservação de documentos e registros de comunicação para averiguar se houve possível retaliação.

"Depois que vieram a público elementos do caso Master envolvendo Moraes, ele adotou uma iniciativa contra o ministro que conduziu essas providências", escreveu Viana, questionando se Moraes estaria utilizando suas prerrogativas para reagir contra Mendonça. "Se houve uso do cargo para constranger ou retaliar um ministro pelo exercício de suas funções, é gravíssimo", alertou.

Governistas focam críticas em Bolsonaro

Enquanto parte da oposição concentrava as manifestações no conflito entre Moraes e Mendonça, publicações de governistas abordaram o caso do Banco Master sem mencionar o pedido de Moraes.

O deputado Rogério Correia compartilhou um vídeo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, associando o banco ao governo de Jair Bolsonaro. José Guimarães também repercutiu a publicação de Correia.

"O Banco Master é de 2019, autorizado a funcionar pelo governo Bolsonaro, e a partir de 2020 passou a explorar crédito consignado para aposentados do INSS, permitido pelo governo de Jair Bolsonaro", disse Correia.

Ele acrescentou que, durante o governo Lula, o banco foi liquidado, a corrupção foi denunciada e o banqueiro preso. Correia manifestou o desejo de estar na Câmara para liderar uma nova CPMI.

A deputada federal Gleisi Hoffmann também se posicionou sobre o caso Master, mas não se referiu à iniciativa de Moraes contra Mendonça. Ela comentou sobre informações envolvendo Vorcaro e recursos destinados às campanhas de Bolsonaro e de Tarcísio em 2022.

"Quer dizer então que o dinheiro para as campanhas do Bolsonaro e do Tarcísio em 2022 era propina? É isso que está dizendo o próprio Vorcaro! É gravíssimo!", escreveu Gleisi, que ainda sugeriu que o caso indicaria uma tentativa de interferência nas eleições presidenciais contra Lula, lançando críticas a Bolsonaro, ao senador Flávio Bolsonaro e ao deputado Filipe Barros.

Na quinta-feira, Lula gravou um vídeo sobre a crise que atinge o Supremo após as revelações das mensagens trocadas entre Moraes e Vorcaro.