POLÍTICA

Carlos Portinho cobra impeachment de Alexandre de Moraes

Líder do PL no Senado promete pressões diárias para abertura de processo contra ministro do STF.

Por Estadao Conteudo Publicado em 02/09/2026 às 15:47
O senador Carlos Portinho (PL-RJ) Reprodução / Agência Brasil

O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), anunciou que o partido exigirá com frequência do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), a abertura do processo de impeachment contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. A medida ocorre em virtude de novas mensagens interceptadas pela Polícia Federal (PF) envolvendo o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, conforme revelado pelo Estadão.

Parlamentares da sigla já assinaram pedidos de impeachment contra Moraes e de afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Também foi protocolada uma queixa-crime contra o procurador-geral da República, Paulo Gonet. Todos foram citados nas conversas com Vorcaro.

“A responsabilidade de todo o caso e do tamanho que quer ter o Senado Federal está nas mãos de Davi Alcolumbre. Estou anunciando que ele será cobrado diariamente pela sua inércia até que abra o pedido de impeachment, porque, se ele está intimidado pelo ministro do STF, a maneira de ele se descolar disso é abrindo, neste momento, pelos fatos revelados, pelo momento que a sociedade vive, o impeachment do ministro Alexandre de Moraes”, disse Portinho.

Em relatório da PF, as mensagens indicam que Vorcaro e Moraes se encontraram em 14 e 16 de novembro, às vésperas da primeira prisão do ex-banqueiro. Os dois utilizavam mensagens de visualização única através de capturas de tela do bloco de notas do celular, possibilitando que a PF tivesse acesso ao conteúdo enviado por Vorcaro.

No último convite, Vorcaro escreveu ao ministro às 13h40: “Bom dia, Já estou em voo, vou pousar 14h20 e irei direto praí, tudo bem?”.

O PL também tenta vincular o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao escândalo envolvendo Vorcaro e Moraes. Nesse sentido, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), criticou a tentativa de afastamento que o candidato à reeleição promove com relação ao ministro e a permanência de Andrei no cargo: “Se o presidente Lula não cortar e substituir imediatamente o superintendente da Polícia Federal, o presidente Lula também é conivente com essa quadrilha”, declarou Sóstenes.

Nas conversas, o ex-banqueiro pediu a Moraes que interviesse junto à PF e à PGR para travar as investigações sobre o caso Master, que tramita no STF, sob a relatoria do ministro André Mendonça. “Não conseguimos reverter isso com Paulo ou Andrei? Muita sacanagem isso”, escreveu Vorcaro a Moraes.

Gonet e Vorcaro mantiveram diálogo por telefone e mensagens, com o intermédio do advogado Ciro Soares. Nos diálogos, o PGR mencionou sentir saudades e chamou Vorcaro de “máquina” após aceitar um convite para uma degustação de uísque em Londres, solicitando que seu filho também fosse convidado. Vorcaro agradeceu e disse que também estava com saudades.

As lideranças do PL pedem o avanço nas investigações. “São gravíssimas as acusações e nós sempre defendemos a presunção de inocência a todos, mas o que já fica claro é que há interferência muito clara do ministro Alexandre de Moraes neste grave episódio, envolvendo o procurador-geral da República, o que nos preocupa muito”, prosseguiu Sóstenes.

Portinho, por sua vez, reforçou a necessidade da saída do ministro do cargo. “A renúncia de Alexandre de Moraes é o mínimo para preservar o que sobra e o que resta da sua reputação”, completou.

A eventual aprovação do impeachment de Moraes seria uma decisão sem precedentes do Senado em relação a ministros do STF, já que a Constituição Federal não prevê esse tipo de medida contra essas autoridades. Contudo, a Lei do Impeachment (Lei 1.079/1950) estabelece que é responsabilidade da Casa processá-los e julgá-los por crimes de responsabilidade.