Tarcísio é isento, mas Procuradoria aponta irregularidades em ação policial
A Procuradoria Regional Eleitoral arquiva investigação sobre suposta perseguição ao carro do candidato Fernando Haddad.
A Procuradoria Regional Eleitoral de São Paulo isentou o governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), de crime eleitoral, arquivando o pedido de investigação sobre a alegada perseguição de viaturas da Polícia Militar ao veículo utilizado pelo candidato Fernando Haddad (PT). A campanha do petista solicitou a abertura de uma apuração por suspeita de abuso de poder e autoridade.
No entanto, o órgão não descartou a possibilidade de que o patrulhamento tenha sido irregular, afirmando que o fato de duas viaturas táticas terem cruzado com o carro do candidato em um intervalo de 44 minutos e em uma área geográfica restrita não pode ser considerado uma "mera coincidência".
Em seu parecer, o procurador regional eleitoral Paulo Taubemblatt afirmou: "Resta afastada qualquer dúvida quanto à eventual prática de ilícitos eleitorais pelo governador e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas...".
A procuradoria, atuando apenas no esfera eleitoral, enviou uma cópia da investigação para o Ministério Público de São Paulo (MP-SP), que pode tomar "providências que entender cabíveis" se considerar que houve irregularidade administrativa ou abuso por parte da polícia. Atualmente, há um inquérito aberto pela Polícia Civil sobre o incidente.
O procurador destacou que o "caráter excepcional desse duplo engajamento tático" fragiliza a hipótese de regularidade levantada pela corporação.
A reportagem tentou contato com o governo de São Paulo, que ainda não se manifestou sobre o assunto.
A situação começou quando o motorista de Haddad relatou uma atuação atípica de viaturas policiais ao deixá-lo em casa, na região do Planalto Paulista, zona sul da capital, na noite do dia 11 de agosto.
Imagens mostram que uma viatura passou próximo ao veículo segundos antes de Haddad sair. Segundo o motorista, ele foi seguido por uma viatura até parar em frente a um hotel na Rua Joinville, a 4,3 quilômetros do local, onde foi abordado pela polícia.
No entanto, imagens obtidas pelo Estadão indicam que, em parte do percurso entre a casa do candidato e o hotel, o carro do motorista não foi seguido de perto pela viatura. As gravações mostram que o motorista permaneceu 25 minutos estacionado diante do hotel, até que uma viatura se aproximou, desacelerando antes de seguir seu caminho.
Na última segunda-feira, 31, Haddad convocou uma coletiva de imprensa para apresentar novas imagens e um laudo pericial assinado por dois peritos judiciais. O laudo contradiz a narrativa oficial, apontando que uma viatura parou próximo ao carro do motorista ao estacionar no hotel.
Os peritos afirmam que a viatura ficou estacionada em um "ponto cego" das câmeras, mas ressaltam que um policial foi visto a pé na rua, sugerindo que a viatura realmente parou.
Durante a coletiva, Haddad reafirmou que as imagens apresentadas desmentem o discurso do governo estadual de que a viatura apenas passou e não parou.
Tarcísio, no início da campanha, afirmou que a investigação monitorou o GPS das viaturas e as imagens de mais de 70 câmeras, chegando à conclusão de que não houve perseguição.
Haddad, porém, argumentou que o laudo pericial e as novas imagens foram anexadas ao inquérito da Polícia Civil.
A Secretaria de Segurança Pública (SSP) se manifestou, afirmando que a viatura que passou pelo carro de Haddad era da Força Tática e estava retornando à base operacional.
A SSP rejeitou a tese de perseguição, informando que o carro do motorista estacionou no hotel dois minutos após a viatura chegar à base, e que nenhuma viatura seguiu o Fusion até o hotel.
Além disso, a SSP declarou que uma terceira viatura chegou ao local 12 minutos após a saída do motorista, impossibilitando qualquer contato entre elas.
A campanha de Haddad afirmou que as novas evidências foram anexadas ao inquérito aberto pela Polícia Civil e espera transparência na apuração.