Ministro de Lula rebate ataque de JHC, apresenta números e devolve críticas com caso do Banco Master
Geoge Santoro responde ponto a ponto ao ex-prefeito, contesta acusações sobre Casal, dívida de Alagoas e Refiti e lembra que, durante gestão de JHC, o Iprev de Maceió aplicou milhões no Banco Master
O ministro dos Transportes, George Santoro, reagiu neste sábado (29) aos ataques feitos por JHC, ex-prefeito de Maceió e candidato ao Governo de Alagoas. Em uma longa publicação nas redes sociais, Santoro abandonou o terreno das provocações e respondeu ponto a ponto às acusações, recorrendo a números e documentos e levando para o centro do embate um assunto incômodo para a antiga administração da capital: os investimentos do Iprev de Maceió no Banco Master.
A reação ocorreu depois de JHC atacar Santoro nas redes sociais. O confronto entre os dois ganhou força após a discussão sobre a chegada a Arapiraca da locomotiva destinada aos testes da linha que receberá o VLT.
Neste domingo (30), a imprensa também registra que Santoro reagiu à ironia de JHC sobre o equipamento e cobrou do ex-prefeito resultados na área de mobilidade de Maceió.
Na resposta reproduzida em seu perfil, Santoro começa citando Provérbios — “O lábio verdadeiro permanece para sempre, mas a língua mentirosa dura apenas um instante” — e em seguida afirma: “Contra a mentira, ofereço fatos.”
Casal e dívida entram no confronto
Um dos primeiros pontos contestados pelo ministro foi a afirmação envolvendo a Companhia de Saneamento de Alagoas (Casal). Santoro sustenta que a empresa não foi vendida e continua produzindo e tratando água, enquanto o serviço concedido à iniciativa privada foi o de distribuição.
Ele também rebateu a acusação de que teria deixado Alagoas endividado quando comandou a Secretaria da Fazenda.
Segundo os números apresentados pelo próprio Santoro, a Dívida Líquida representava 159,8% da Receita Corrente Líquida quando ele assumiu a Fazenda e caiu para 54,98% quando deixou o cargo, uma redução de 65,6%.
“Dívida se discute com balanços e documentos, não com propaganda”, escreveu.
Santoro também reagiu a uma acusação de natureza judicial. Disse não ser réu em nenhum processo, afirmou possuir ficha limpa e declarou que eventuais acusações contra ele foram afastadas nas instâncias judiciais.
Ministro devolve ataque com o Banco Master
O trecho politicamente mais pesado da resposta aparece quando Santoro compara a gestão previdenciária estadual com a administração do Iprev de Maceió durante o governo municipal de JHC.
“Enquanto tratamos a previdência de Alagoas com governança e responsabilidade, sua gestão em Maceió aplicou mais de R$ 100 milhões dos servidores no Banco Master, além de mais de R$ 50 milhões em outro fundo que registrou perdas expressivas”, escreveu Santoro.
O caso não se resume à disputa eleitoral. A Polícia Federal realizou neste mês operação envolvendo o Iprev e investiga aportes de R$ 97 milhões em letras financeiras do Banco Master, realizados entre 2023 e 2024, período da administração de JHC em Maceió.
A CNN Brasil revelou ainda, com base na investigação da PF, que o Banco Master não estava entre as instituições consideradas elegíveis pelo Ministério da Previdência para receber recursos de regimes próprios de previdência no momento do primeiro aporte, de R$ 80 milhões, realizado em dezembro de 2023. Um segundo investimento, de R$ 17 milhões, também entrou na investigação.
Refiti também vira munição
Santoro ainda respondeu às críticas relacionadas à antiga Refinaria de Manguinhos, hoje Refiti. Segundo o ministro, sua equipe no Rio de Janeiro cancelou a inscrição da empresa e cobrou bilhões em multas. Ele contrapôs essa atuação à de Alagoas, afirmando que posteriormente foram concedidas autorizações à empresa no Estado.
Ao final, o ministro elevou o tom contra JHC.
“Política admite crítica. O que não admite é fabricar fatos para tentar destruir reputações. Antes de acusar, examine os documentos. E antes de apontar o dedo, examine a própria gestão”, escreveu.
Santoro encerrou a publicação novamente no campo pessoal e religioso: “Você, que se diz cristão, deveria praticar mais aquilo que Cristo ensinou. A mentira pode correr depressa. Mas os documentos sempre chegam. E a verdade permanece”.
A troca de ataques mostra que o debate iniciado em torno do VLT de Arapiraca ultrapassou rapidamente a discussão sobre mobilidade. JHC tentou atingir Santoro; o ministro respondeu trazendo para o confronto números da administração estadual e, principalmente, o Banco Master - justamente um dos assuntos que mais pressionam politicamente a antiga gestão do ex-prefeito de Maceió neste início de campanha.