POLÍTICA

Caiado propõe PEC para limitar gastos públicos

Candidato à Presidência promete enviar emenda para restringir despesas ao percentual do PIB.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 20:57
Ronaldo Caiado © AP Photo / Eraldo Peres

O candidato à Presidência pelo PSD, ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, reiterou sua intenção de encaminhar uma Proposta de Emenda à Constituição que visa limitar os gastos públicos, caso seja eleito. "Todo mundo tem que respeitar o reajuste do valor pela inflação, mas não pode acrescer a ele todo o crescimento do PIB. Respeitaremos aquele porcentual da inflação, que é a correção, mas haverá um limite para o crescimento dos gastos a 50% do PIB", declarou Caiado em entrevista ao Canal Rural e ao Bom dia Mercado (BDM), transmitida nesta sexta-feira, 28. "Encaminharei emenda à Constituição dizendo que não gastaremos mais da metade do PIB. Primeiro vamos estabilizar a dívida/PIB", enfatizou.

O candidato, no entanto, não detalhou quais áreas serão afetadas pelos cortes de despesas nem como realizará a limitação de gastos. "Não só eu, mas nenhum que esteja fora do governo tem todos esses dados. Não saberia dizer qual é o ponto específico", apontou sem especificar os cortes. Segundo ele, a medida geral envolverá a análise de subsídios, incentivos e políticas vigentes.

Caiado também afirmou que, para rever a política fiscal do Brasil, convocaria o presidente da Câmara e do Senado, além dos líderes partidários, para dialogar sobre a situação fiscal do País e as políticas necessárias.

O ex-governador criticou ainda o atual arcabouço fiscal, afirmando que "é uma piada, porque o governo frauda o arcabouço fiscal toda hora. Toda vez que quer fazer um benefício politiqueiro, simplesmente exclui aquilo do arcabouço fiscal".

Sobre a dívida pública, Caiado mencionou que houve um aumento significativo, entre 11 e 12 pontos porcentuais na relação dívida/PIB, somando mais de R$ 1,3 trilhão. Para ele, essa é uma das razões dos altos juros praticados. "Hoje a dívida extrapola 80% da relação dívida/PIB. Tenho que dizer que não gastaremos mais da metade do PIB e, pelos cálculos que fizemos, podemos chegar em 2030 com uma relação dívida/PIB em torno de 77% a 78%", afirmou.

Questionado sobre o impacto dos gastos com a Previdência nas despesas públicas, ele reconheceu que o modelo previdenciário precisa ser rediscutido, mas ressaltou que essa questão não será uma prioridade imediata em um eventual ajuste fiscal. "A Previdência precisa ser rediscutida. Este modelo em que um trabalha para o outro não suporta mais, pois o Brasil já perdeu esse bônus demográfico", explicou. "Essa matéria não vai interferir neste momento em um ajuste fiscal, porque existe direito adquirido. A reforma administrativa e a reforma da Previdência darão resultado lá adiante. A prioridade do governo agora tem de ser a contenção das despesas neste momento", acrescentou.

Caiado também se pronunciou sobre a indexação dos benefícios sociais ao salário mínimo. Ele mencionou que a questão depende da disponibilidade financeira para tal. "Isso não é uma decisão pessoal. Você tem que chamar toda a população. A sociedade quer primeiro que o governante corte na carne e mostre que equilíbrio fiscal não é adversário de políticas sociais", afirmou.

Por fim, o ex-governador comentou sobre a percepção de que a despesa obrigatória é amplamente atribuída aos aposentados, afirmando que essa visão é uma "fixação". "Ninguém quer discutir essas outras situações das quais o Brasil abre mão. Você tem também os subsídios, que chegam a centenas de bilhões de reais", concluiu Caiado.