POLÍTICA

Candidatos ao Governo do Rio adotam estratégias distintas na estreia de propaganda eleitoral

Eduardo Paes foca em sua experiência como prefeito, enquanto Douglas Ruas faz alusão à política nacional.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 18:22
O deputado Douglas Ruas (PL) Reprodução / Instagram

A Segurança pública foi um dos principais temas da estreia da propaganda eleitoral para o governo do Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 28, mas Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) escolheram caminhos distintos para apresentar suas candidaturas. Ruas buscou nacionalizar a disputa, explorou sua trajetória na polícia e vinculou visualmente sua campanha ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Paes deixou a disputa nacional fora de sua peça e apostou na experiência à frente da Prefeitura do Rio para se vender como gestor capaz de repetir no Estado resultados que atribui à administração da capital.

A diferença ficou explícita na edição da propaganda de Ruas. Ao apresentar o que chamou de "turma da velha política", a campanha colocou em uma tela vermelha uma fotografia antiga, em preto e branco, de Paes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na sequência, ao falar do grupo que representa sua candidatura, a peça mudou para o verde e exibiu Ruas ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.

Paes, por outro lado, concentrou sua propaganda na comparação entre os problemas do Estado e realizações de suas administrações municipais. Prefeito do Rio em quatro mandatos, por pouco mais de 13 anos no total, ele deixou o cargo em 20 de março deste ano para disputar o governo estadual.

Ruas contrapõe 'Rio real' a cartão-postal e nacionaliza disputa

Douglas Ruas abriu sua propaganda dizendo que o Estado convive com "dois rios": um associado às praias, à orla e ao turismo e outro formado pela Baixada Fluminense, São Gonçalo, zonas Norte e Oeste e cidades do interior.

"Quem mora aqui sabe, existem dois rios. O Rio do cartão-postal, da orla, da praia, do turista, da vida bacana. E tem o nosso, o Rio real", afirmou.

A escolha do "cartão-postal" também funciona como contraponto a uma imagem recorrente na comunicação política de Paes em campanhas anteriores. Ruas tentou deslocar o foco para regiões que, segundo sua narrativa, trabalham, pagam impostos e recebem menos serviços públicos.

A partir daí, o candidato transformou a própria biografia em argumento eleitoral. Disse ter crescido em São Gonçalo e associou sua decisão de entrar para a polícia à experiência com a violência.

"Aí a alegria virou medo. E a gente começou a correr. Correr de casa pro ônibus, correr pro posto, pra escola, correr pra escapar dos tiros. Mas não adianta correr, porque o medo sempre corre mais rápido", declarou.

Ruas afirmou que a passagem pela polícia lhe ensinou que a insegurança é "a maior ferida do Rio", mas procurou ampliar a mensagem para saúde, transporte e educação. Citou ainda sua formação em direito, especialização em gestão pública, passagem pela Prefeitura de São Gonçalo e afirmou ter contribuído para levar obras a mais de 70 municípios.

Foi na reta final que a campanha explicitou a nacionalização da disputa. "Para mim, essa eleição não é entre dois nomes, é entre dois rios e duas gerações. De um lado, a turma dos meus adversários, que há 30 anos se revezam no poder. Do outro estamos nós", disse.

Enquanto Ruas fazia a comparação, a propaganda contrapôs visualmente Paes e Lula, em uma imagem antiga e em preto e branco, a uma fotografia colorida do candidato do PL ao lado de Jair e Flávio Bolsonaro.

Paes usa prefeitura como vitrine e evita disputa nacional

Paes seguiu estratégia diferente. Sua propaganda não fez referência a Lula, Flávio Bolsonaro ou à disputa presidencial e concentrou a mensagem na situação do próprio Estado e na experiência do candidato à frente da capital.

A abertura adotou tom negativo, com uma montagem de trechos de reportagens e noticiários sobre violência, investigações e problemas enfrentados pelo Rio. A peça também recorreu a recursos de inteligência artificial em sua construção visual.

Depois da sequência, Paes classificou o cenário estadual como crítico e tentou estabelecer uma oposição entre os governos anteriores e aquilo que apresenta como sua capacidade de entrega.

"O Estado do Rio vive o pior momento da sua história. São tempos sombrios. O medo e a violência tomaram conta das nossas cidades. E toda eleição para governador é a mesma ladainha de sempre. Prometem muito e não entregam nada", afirmou.

A propaganda mudou então de tom e passou a exibir referências a iniciativas das administrações de Paes na capital, nas áreas de educação, saúde e segurança municipal. A Prefeitura do Rio virou, assim, a principal vitrine utilizada pelo candidato para justificar sua tentativa de chegar ao Palácio Guanabara.

Paes também citou as viagens realizadas aos 92 municípios fluminenses nos últimos meses e afirmou que elas reforçaram sua avaliação de que falta ao Estado um governo capaz de transformar suas potencialidades em resultados.

A segurança também teve peso central. O candidato prometeu comandar a polícia "com autoridade" e combater o crime "com firmeza e com planejamento", além de defender ações nas áreas de saúde, educação profissionalizante, emprego, renda e transporte.

"Ao longo de toda a minha trajetória, o que eu mais ouvi foi que não seria possível fazer tudo que a gente fez. Não foi fácil. Leva tempo. Mas não existe impossível quando se tem a certeza de uma missão, de um propósito", disse.

Garotinho fica fora do horário eleitoral

Anthony Garotinho (Republicanos) não participou da estreia após ser impedido de utilizar o horário eleitoral gratuito por decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Por unanimidade, a Corte decidiu nesta quinta-feira, 27, também proibir o ex-governador de acessar recursos públicos de campanha, incluindo o Fundo Partidário e o Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC).