POLÍTICA

Tarcísio foca em tragédia e ignora Flávio na estreia eleitoral

Haddad critica gestão paulista, destacando problemas em áreas essenciais e apresentando conquistas do PT.

Por Estadao Conteudo Publicado em 28/08/2026 às 15:27
Tarcísio Reprodução / Instagram

A estreia do horário eleitoral gratuito na televisão, ocorrida nesta sexta-feira, 28, revelou estratégias distintas dos principais candidatos ao governo de São Paulo. Com 6 minutos e 20 segundos, Tarcísio de Freitas (Republicanos) apostou em uma narrativa emocional sobre sua atuação na tragédia de São Sebastião, em 2023, sem mencionar o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL), a quem apoia. Por sua vez, Fernando Haddad (PT), com 2 minutos e 39 segundos, fez críticas diretas à atual gestão e exibiu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros integrantes de sua aliança.

Dono de um tempo quase duas vezes e meia maior que o adversário, Tarcísio dedicou praticamente toda a sua primeira peça eleitoral a depoimentos de sobreviventes da tragédia da Vila Sahy, provocada pelas chuvas que atingiram o litoral norte paulista em fevereiro de 2023. Os relatos descreveram o soterramento de casas, a perda de familiares e o resgate de moradores.

A campanha apresentou Tarcísio como um governador que agiu rapidamente, transferiu seu gabinete para a região atingida e permaneceu próximo das vítimas. "Aqui, a gente entendeu o que é se doar, a gente entendeu o que é servir", afirmou o candidato à reeleição. Ao longo das inserções, o incumbente aparece com o colete da Defesa Civil e roupas casuais.

Ao destacar um episódio ocorrido nos primeiros meses do mandato, a campanha buscou associar Tarcísio a atributos como coragem, sensibilidade e capacidade de decisão. O programa evitou o confronto direto com Haddad e não apresentou Flávio Bolsonaro, apesar do apoio declarado do governador ao candidato do PL à Presidência. A ausência reforçou o caráter estadualizado e pessoal da peça.

Por outro lado, Haddad adotou uma abordagem oposta. Logo na abertura, afirmou que o atual governador "tem apequenado São Paulo" e acusou a gestão de oferecer "mentiras" e "migalhas" à população. As críticas surgiram após retiradas de vendas e referências ao "preconceito partidário", termo utilizado pelo PT para descrever a alta rejeição da sigla no Estado.

Na sequência, a campanha atribuiu ao governo Tarcísio cortes de recursos em áreas consideradas essenciais, criticou as privatizações e afirmou que o Estado cresceu menos que o País. A peça também declarou que a atual gestão perdeu espaço para o crime organizado, mencionou o recorde de feminicídios e destacou o retrocesso na educação em São Paulo.

Como contraponto, o programa apresentou realizações da trajetória de Haddad nos governos Lula e na Prefeitura de São Paulo. A propaganda citou a criação do ProUni, a expansão de universidades e institutos federais, a abertura de creches e o reconhecimento internacional recebido pelo petista ao comandar a capital paulista.

Na área econômica, a campanha associou Haddad à isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil, à queda da inflação e do desemprego, e à criação dos programas Desenrola e Pé-de-Meia durante sua passagem pelo Ministério da Fazenda.

Além de Lula, apareceram no programa o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o candidato a vice-governador Márcio França (PSB) e as candidatas ao Senado Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB). A presença do grupo conferiu à estreia de Haddad um caráter nacional e buscou exibir a amplitude política de sua chapa.