POLÍTICA

Adesivo gigante de Fábio Costa com fuzil e "adesão evangélica" de Arthur Lira marcam ato de Flávio Bolsonaro em Maceió

Imagem armada estampada no trio elétrico sobrepôs-se aos candidatos durante desfile que reuniu Alfredo Gaspar e aliados bolsonaristas na capital

Por Redação Publicado em 26/08/2026 às 11:56

O ato político de Flávio Bolsonaro realizado nesta terça-feira (25), em Maceió, reuniu candidatos e aliados em um desfile pelas ruas da capital. No entanto, duas cenas se sobrepuseram aos discursos e à própria movimentação eleitoral: a presença de Arthur Lira no "palanque evangélico" e um adesivo gigante do deputado federal e delegado Fábio Costa segurando um fuzil, estampado na lateral do trio elétrico.

Correligionários de Alfredo Gaspar desfilaram no veículo ao lado de Flávio Bolsonaro e outros aliados. Na parte externa do trio, porém, o enorme adesivo transformava a fotografia do delegado, vestido com equipamento tático e empunhando uma arma de grosso calibre, no elemento visual mais destacado de toda a manifestação.

Não se tratava de uma imagem pequena, discreta ou meramente ilustrativa. O adesivo gigante ocupava boa parte da lateral do veículo e fazia com que a arma praticamente se projetasse sobre quem acompanhava o ato. Em vez de propostas, palavras de conciliação ou compromissos com a segurança pública, foi a figura de um candidato armado que ganhou o centro da cena.

Fábio Costa é delegado de Polícia Civil, mas o contexto não era uma operação policial, um treinamento ou uma atividade institucional. Era um ato político em plena campanha eleitoral. Nesse ambiente, a exibição ostensiva de um fuzil deixa de representar apenas a profissão do candidato e passa a funcionar como uma mensagem eleitoral associada à força, ao confronto e à intimidação.

Arthur Lira se incorpora a campanha de Flávio e Gaspar em Igreja Evangélica



A escolha pode ser interpretada como uma afronta ao caráter pacífico da população alagoana. Em um estado que conhece de perto as consequências da criminalidade, a sociedade espera dos candidatos propostas para prevenir delitos, fortalecer as polícias, reduzir homicídios e proteger as famílias - não a transformação de armamento pesado em peça central de propaganda política.

Combater o crime é uma obrigação do Estado e uma pauta legítima no debate eleitoral. Outra coisa é explorar a estética das armas para promover uma candidatura. Um delegado conhece melhor do que ninguém o poder destrutivo de um fuzil e o impacto simbólico provocado por sua exposição fora do ambiente profissional.

A política deveria ser o espaço da palavra, das ideias e da persuasão democrática. Quando um adesivo gigante com um candidato armado ocupa a lateral de um trio elétrico, a mensagem transmitida corre o risco de deixar de representar segurança para assumir a aparência de demonstração de força.

O outro fato de grande relevância foi a presença de Arthur Lira. Após o desfile de Flávio Bolsonaro, Fábio Costa e Alfredo Gaspar, o deputado sinalizou publicamente sua adesão ao palanque formado pelo grupo em Alagoas ao estarem juntos num evento evangélico.

No fim, duas imagens resumiram o ato em Maceió: Arthur Lira incorporado ao palanque de Flávio Bolsonaro e o adesivo gigante de Fábio Costa empunhando um fuzil. Entre alianças eleitorais e símbolos de força, a arma estampada no trio elétrico chamou mais atenção do que qualquer proposta apresentada à população.