POLÍTICA

Flávio Bolsonaro aciona TSE contra ministro Durigan por suposta campanha antecipada

Senador alega uso da estrutura da Fazenda em favor da reeleição de Lula.

Por Estadao Conteudo Publicado em 25/08/2026 às 07:32
Flávio Bolsonaro © AP Photo / Eraldo Peres

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o ministro da Fazenda Dario Durigan. O parlamentar acusa Durigan de usar a estrutura da pasta para fazer campanha pela reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No documento, protocolado na segunda-feira, 24, os advogados de Flávio elencam reportagens que, segundo ele, comprovariam atuação do ministro como um "porta-voz econômico" do presidente. Isso, segundo a peça, configuraria o uso da máquina administrativa em favor da candidatura de Lula.

Procurado, o Ministério da Fazenda não se manifestou até a publicação desta matéria.

A primeira reportagem citada é uma do site Poder360, de 29 de julho, que conta sobre ida de Durigan à Faria Lima, em São Paulo, para dialogar com o mercado sobre um eventual quarto mandato de Lula.

Em seguida, citam reportagem da Folha de S.Paulo, de 14 de agosto, que apresenta o ministro como "porta-voz econômico" da campanha à reeleição, e reportagem de O Globo, de 21 de agosto, que o descreve como "interlocutor econômico" da candidatura petista.

A representação também questiona a agenda oficial do Ministério da Fazenda registrada em 17 de agosto. Nesta data, Durigan cumpriu, em São Paulo, compromissos classificados pelos advogados como "eleitorais". Para eles, essa mistura entre a agenda oficial e eventos tidos como políticos mostra que as atividades da campanha teriam sido "administrativamente absorvidas" pela agenda funcional.

Outro ponto citado é uma entrevista de Durigan à rádio CBN, em 20 de agosto. Esse compromisso fazia parte de uma série de entrevistas da emissora com representantes econômicos de candidaturas presidenciais. Também participou a integrante da campanha de Flávio, Daniella Marques. Segundo a petição, o compromisso apareceu na agenda oficial como evento do "Ministro da Fazenda", mas a entrevista tratou do programa de governo da candidatura à reeleição.

Os advogados citam ainda o convite da GloboNews para um debate marcado para 1º de setembro entre "coordenadores econômicos" dos candidatos à Presidência, no qual a emissora já identifica Durigan como representante de Lula.

Com base nesses elementos, a defesa de Flávio pede ao TSE que determine ao Ministério da Fazenda e a outros órgãos federais a preservação e a apresentação de documentos referentes aos compromissos citados. Os advogados pedem que Durigan seja impedido de usar recursos públicos para futuros compromissos na condição de representante da campanha de Lula, incluindo o debate da GloboNews.

Caso as condutas sejam reconhecidas, a representação pede a aplicação das sanções cabíveis tanto a Durigan, como agente público responsável, quanto a Lula, na condição de beneficiário.