Tarcísio comenta sobre futura candidatura à presidência
Governador paulista reafirma foco na reeleição e deixa futuro nas mãos de Deus.
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), voltou a se manifestar sobre uma possível candidatura a presidente da República em 2030 nesta segunda-feira, 24. Após um pastor pedir para Deus abençoar o governador porque "em breve o Brasil será abençoado por sua liderança", Tarcísio disse que seu foco é vencer a reeleição e que ainda não é hora de pensar em outras eleições.
Tarcísio participou de um evento no Centro de São Paulo ao lado do prefeito Ricardo Nunes (MDB), onde recebeu apoio de comerciantes e donos de bares e restaurantes.
O pastor que disse que Tarcísio será presidente da República no futuro foi Paulo Eduardo Gomes Vieira, da Primeira Igreja Batista de São Paulo. A menção ocorreu durante uma oração.
Ao ser questionado por jornalistas, o governador afirmou que seu foco é governar o Estado até 2030, entregar obras que foram iniciadas no primeiro mandato e deixar "um legado".
"A gente quer agora ver essa nova etapa, também uma etapa de entrega, de legado, fazer um bom trabalho, que dê lá na frente para olhar para trás e dizer 'valeu a pena, estamos saindo com a cabeça erguida, com a missão cumprida'. É isso que importa. O resto, aí é o projeto de Deus, é o tempo vai dizer", declarou ele.
É a segunda vez em menos de uma semana que Tarcísio admite disputar a Presidência da República no futuro. Antes disso, ele costumava rechaçar a ideia e se limitava a dizer que estava focado em São Paulo.
As declarações ocorrem após sinalizações do senador Flávio Bolsonaro (PL) de que pretende acabar com a reeleição caso seja eleito presidente. Segundo aliados do candidato do PL, a ideia é aprovar Proposta de Emenda à Constituição entre o final da eleição e a posse em janeiro, com a medida valendo já para a eleição de 2030.
A PEC, protocolada pelo próprio Flávio em março, é vista no entorno do candidato bolsonarista como um gesto a Tarcísio e a todos os outros aliados do senador que almejam disputar a Presidência em 2030.
Em uma agenda com empresários na semana passada em São Paulo, Flávio disse a Tarcísio que quer entrar para a história, "nem que seja como um presidente de transição".
O governador de São Paulo era cotado para ser o sucessor de Jair Bolsonaro (PL) nas urnas, mas o ex-presidente optou por lançar o filho.
Tarcísio e Flávio fizeram duas agendas eleitorais conjuntas em São Paulo até o momento. Além do encontro na semana passada, eles estiveram juntos na Festa do Peão de Barretos (SP) no último sábado.
O governador, contudo, não tem acompanhado todos os compromissos de Flávio no Estado. Nesta segunda-feira, por exemplo, o candidato do PL estará à noite na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e em um evento promovido pela revista Veja, enquanto Tarcísio se reuniu com empresários e fez uma caminhada no Centro da capital paulista.
Questionado sobre o assunto, Tarcísio disse que a separação de agendas pode ser positiva. "Existe um planejamento e existem eventos que a gente tem que estar em conjunto", explicou ele.
"A divisão às vezes é boa. O cara está num lugar, o outro está no outro. Um está pedindo voto num lugar, o outro está pedindo voto no outro. Pra quem teve Ribeirão Preto, viu o que eu falei ali sobre a necessidade do Flávio ganhar a eleição. Ele não estava comigo, mas eu estava pedindo voto pra ele", continuou o governador.
Como mostrou o Estadão, a ordem na campanha de Tarcísio é deixar claro que o candidato dele é Flávio e que vai ajudá-lo na eleição presidencial, até o limite em que isso não prejudicar o próprio governador na disputa em São Paulo.