POLÍTICA

De 124 mil votos em 2010 a menos de 17 mil em 2018: Célia trouxe oito anos de ostracismo eleitoral para 2026

Ex-prefeita de Arapiraca, hoje com 73 anos, chega à chapa de JHC sem demonstração recente de força nas urnas; depois de viver o auge eleitoral em 2010, sofreu forte queda em 2018 e desde então não voltou a disputar eleição

Por Cinara Corrêa Publicado em 24/08/2026 às 17:39
De 124 mil votos em 2010 a menos de 17 mil em 2018: após oito anos fora das urnas, qual o peso de Célia em 2026?

A presença de Célia Rocha como vice de JHC na eleição de 2026 recoloca em evidência uma trajetória política que já foi marcada por enorme força eleitoral, mas que, nos últimos anos, passou a carregar uma sequência de desgaste, queda nas urnas e afastamento das disputas.
Os números ajudam a dimensionar essa mudança.
Em 2010, Célia Rocha viveu o auge de sua carreira política. Eleita deputada federal, ultrapassou a marca de 124 mil votos em Alagoas, tornando-se uma das candidatas mais votadas do Estado naquele pleito.
Naquele momento, seu nome tinha alcance muito além de Arapiraca. Célia conseguia votos em diferentes regiões, reunia apoios expressivos e se apresentava como uma liderança estadual consolidada.
Oito anos depois, o cenário era completamente diferente.
Em 2018, candidata a deputada estadual, Célia terminou a eleição com menos de 17 mil votos em todo Alagoas e não conseguiu se eleger.
A queda foi expressiva.
Ainda que as duas eleições tenham sido para cargos distintos, a diferença entre os resultados mostra objetivamente a perda de alcance eleitoral sofrida pela ex-prefeita ao longo daquele período.
De uma candidatura que ultrapassou 124 mil votos em 2010, Célia passou para uma votação inferior a 17 mil em 2018.
E aquela foi sua última eleição.
Desde então, Célia Rocha passou oito anos sem disputar mandato.
Não houve nova candidatura em 2020.
Não houve candidatura em 2022.
Não houve candidatura em 2024.
Durante todo esse período, seu nome permaneceu afastado das urnas e sem qualquer demonstração eleitoral concreta de recuperação da força que possuía no passado.
Agora, em 2026, aos 73 anos, Célia aparece na chapa de JHC como candidata a vice-governadora.
Mas sua presença precisa ser analisada à luz do histórico recente.

Do auge ao afastamento


Depois da eleição de 2010, Célia decidiu abandonar o mandato de deputada federal para retornar à política de Arapiraca.
Em 2012, disputou novamente a Prefeitura, venceu e, para assumir o Executivo municipal, renunciou ao mandato que havia conquistado em Brasília.
Foi após essa nova passagem pela Prefeitura que sua trajetória eleitoral começou a sofrer uma mudança mais profunda.
Ao encerrar o mandato em 2016, Célia já não apresentava a mesma capacidade de mobilização que havia demonstrado seis anos antes.
Quando tentou retornar à vida pública em 2018, o resultado confirmou essa perda de força.
Menos de 17 mil votos.
Nenhum mandato.
E, depois disso, silêncio eleitoral por oito anos.

JHC precisava de um nome do Agreste


A escolha de Célia para a vice também revela uma dificuldade política da chapa de JHC.
Era necessário apresentar alguém com ligação histórica com o Agreste, sobretudo com Arapiraca.
Mas os principais nomes em atividade na região já estavam comprometidos com outros projetos, tinham seus próprios caminhos políticos ou não apresentavam disponibilidade para ocupar a vice.
Célia surgiu nesse espaço.
Não como resultado de uma ascensão recente.
Não como liderança em crescimento.
Não como nome impulsionado por uma grande votação atual.
Sua presença decorre principalmente de sua história política e da necessidade de JHC de preencher uma lacuna regional na chapa.
A ex-prefeita tem currículo. Tem memória. Tem reconhecimento de nome.
Porém, o que não tem, até agora, é uma demonstração eleitoral recente de que ainda consegue reproduzir a força que um dia teve.

Oito anos de ostracismo eleitoral


Entre a derrota de 2018 e a eleição de 2026, passaram-se oito anos.
É um intervalo longo na política.
Nesse período, surgiram novas lideranças, mudaram os grupos municipais, prefeitos ganharam projeção, deputados consolidaram bases e o mapa político do Agreste foi profundamente reorganizado.
Célia ficou fora desse processo eleitoral direto.Por isso, sua presença em 2026 não pode ser lida automaticamente como demonstração de força.
O nome ainda repercute. A história chama atenção.
Mas repercussão não é voto. E memória não é necessariamente liderança atual.
O último teste concreto de Célia aconteceu em 2018.
E o resultado foi muito distante daquilo que havia alcançado em 2010.

Os números contam a história


A trajetória é simples de visualizar.
Em 2010: mais de 124 mil votos.
Em 2018: menos de 17 mil votos.
Depois disso: oito anos fora das urnas.
É com esse histórico que Célia Rocha entrou na disputa de 2026.
O anúncio de sua presença na chapa produziu barulho político, sobretudo pela memória de quem ela já foi no Agreste. Mas a eleição deste ano não será decidida pela lembrança de 2010.
Será decidida pela capacidade atual de mobilização. E é exatamente aí que está a maior dúvida.
Célia Rocha já provou que foi uma grande força eleitoral. O que ainda precisa provar é se continua sendo. Porque, entre o auge e a eleição atual, há um dado difícil de ignorar:
124 mil votos em 2010, menos de 17 mil em 2018 e oito anos de ostracismo eleitoral até 2026.