Reunião do TSE discute uso de IA e pesquisas nas eleições
Ministros se reuniram a portas fechadas para debater regulamentações essenciais para as campanhas eleitorais.
Os ministros do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se reuniram às portas fechadas nesta terça-feira, 18, para discutir dois processos que definem regras obrigatórias para as campanhas deste ano. Um deles é sobre o uso de inteligência artificial por candidaturas e o outro, sobre regras de pesquisas de opinião .
Em caráter reservado, membros da Corte afirmaram que a reunião teve “clima tranquilo” e que os ministros debateram argumentos diversos, sem votos antecipados. Mesmo assim, o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, ainda não agendou uma data para os julgamentos. A intenção é que sejam marcadas para este mês, porque as campanhas já estão oficialmente nas ruas.
A reunião a portas fechadas se alongou e acabou atrasando o início da sessão do plenário do TSE. A transmissão da sessão aberta começou com cerca de 40 minutos de atraso.
Em nota, o TSE informou que o encontro foi “bastante produtivo” e abre caminho para as questões serem “oportunamente julgadas no plenário”. O texto também diz que "a reunião como objetivo ouvir o resultado e as perspectivas dos ministros sobre os desafios jurídicos relacionados ao emprego dessas tecnologias durante o processo eleitoral".
Os dois temas dividem o tribunal. No caso das pesquisas, Nunes Marques suspendeu a divulgação de um enquete que mostrava Flávio Bolsonaro, o candidato do PL ao Palácio do Planalto, em queda. O ministro argumentou que a forma como o instituto de pesquisa exibiu recursos audiovisuais aos entrevistados foi capaz de induzir as respostas deles.
O processo foi julgamento em plenário, mas houve pedido de vista. Em julho, o TSE reuniu institutos de pesquisas para que uma decisão tomada em plenário fosse capaz de orientar a atividade dessas empresas durante a eleição. Houve críticas sobre o risco de o tribunal poder aderir a um entendimento que pudesse coibir o uso de pesquisas eleitorais.
O caso da inteligência artificial chegou ao TSE por meio de um questionamento do PT sobre a legalidade do uso do recurso no lançamento da campanha de Flávio. O PL exibiu um vídeo de Jair Bolsonaro gerado por IA declarando apoio à candidatura do vídeo. O tribunal vai decidir agora se os avatares podem ser usados em campanhas.
Em caráter reservado, os ministros avaliam que a tendência é a maioria do colegiado concorda com a liberação de recursos audiovisuais em pesquisas, desde que seja explicada previamente aos entrevistados e que a metodologia seja devidamente registrada na Justiça Eleitoral.
Por outro lado, o mais provável é que a maioria dos ministros veja o uso de avatares de candidatos ou apoiadores. A prática pode ser convencional como “deep fake”, que já é proibida na resolução do TSE que trata de inteligência artificial nas campanhas.