POLÍTICA

Ex-comandante da FAB revela ameaças de Bolsonaro sobre eleição

Tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior lança livro detalhando momentos no comando da Aeronáutica.

Por Estadao Conteudo Publicado em 18/08/2026 às 19:00
Jair Bolsonaro © AP Photo / Eraldo Peres

O tenente-brigadeiro Carlos Baptista Junior, ex-comandante da Aeronáutica no governo Jair Bolsonaro, decidiu contar, em livro, o que viveu entre abril de 2021 e janeiro de 2023, no comando da Força Aérea Brasileira.

O tenente brigadeiro foi uma das testemunhas de acusação no processo em que Bolsonaro foi condenado por tentativa de golpe de Estado. Baptista Júnior tinha sob seu comando a FAB em meio a uma crise institucional nos comandos militares.

Durante as investigações, o tenente brigadeiro confirmou à Polícia Federal (PF) que o então presidente apresentou aos comandantes militares o esboço de um decreto para impor um estado de exceção no país.

No livro Eu Disse Não: Uma Trincheira Antigolpista (ed. Autêntica, 242 pág), que será lançado em setembro, ele relata que entre 3 de outubro e 14 de dezembro, os comandantes das três Forças foram convocados doze vezes ao Ministério da Defesa. Os chefes militares tiveram seus afazeres desviados para discutir a eleição durante todo aquele ano.

A estratégia do brigadeiro junto ao então comandante do Exército, general Marco Antonio Freire Gomes, era ganhar tempo diante das pressões para que embarcassem em uma aventura golpista.

Piloto de caça com mais de 4.500 horas de voo e quase cinco décadas de carreira na Força Aérea, que teve início em 1975, Baptista Junior narra com segurança e autoridade, não como espectador, mas como um dos protagonistas que, segundo seu próprio relato, ajudou a manter as Forças Armadas longe do rompimento.

O testemunho do oficial foi vital nos autos da ação penal 2668 do Supremo Tribunal Federal, que resultou na condenação do ex-presidente a 27 anos e três meses de reclusão. O julgamento foi concluído em setembro do ano passado.

Baptista Júnior é filho de Carlos de Almeida Baptista, tenente brigadeiro que comandou a Aeronáutica entre 1999 e 2003. O oficial da reserva ingressou na Força Aérea Brasileira (FAB) em 1975, na Escola Preparatória de Cadetes do Ar (Epscar). Até assumir o comando da Força, acumulou quatro mil horas de voo, com especialidade em ações de reconhecimento e caça.

Baptista Júnior assumiu o comando da Aeronáutica em abril de 2021, após uma crise deflagrada pela demissão do então ministro da Defesa Fernando Azevedo. A saída do ministro provocou uma debandada no comando das três Forças.

Foi a única vez desde a redemocratização que os três comandantes militares deixaram seus postos ao mesmo tempo, sem que houvesse uma mudança de gestão no governo federal.